Senador questionou decisão de Cristiano Zanin que ampliou horário de votação e afirmou que não reconhece o resultado; TSE contestou declaração sobre fiscais do PL
Um dia depois de perder a disputa pelo Palácio do Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou que pretende recorrer à Justiça para tentar anular as eleições presidenciais de 2026. Em pronunciamento na noite deste domingo (25), ele questionou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou o horário de votação em todo o país, e afirmou que não reconhece o resultado.
Flávio classificou a medida como uma mudança nas regras durante a eleição e disse que a decisão teria prejudicado a igualdade entre eleitores de diferentes estados. O senador também alegou que fiscais de seu partido foram retirados de uma área do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante a apuração.
“É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições”, afirmou.
O TSE, porém, contestou a declaração sobre os fiscais. Em esclarecimento publicado nesta segunda-feira (26), a Justiça Eleitoral informou que representantes do PL acompanharam a totalização e a divulgação dos resultados na Sala de Totalização, espaço destinado à fiscalização. O tribunal explicou que a chamada sala-cofre não é aberta à visitação.
Decisão de Zanin motivou críticas
A manifestação de Flávio teve como alvo a decisão de Zanin, que determinou a extensão do horário de votação até as 19h, no horário de Brasília, após receber relatos de dificuldades no transporte público em municípios brasileiros.
O ministro esclareceu posteriormente que a medida deveria ser cumprida apenas nas seções eleitorais que ainda estavam abertas no momento da determinação. As urnas que já haviam sido fechadas não seriam reabertas, e os votos registrados nelas deveriam ser computados normalmente.
Flávio afirmou que a decisão provocou uma quebra de isonomia entre eleitores e questionou quantos votos poderia ter recebido em localidades onde as urnas já haviam sido encerradas.
A crítica, no entanto, ocorre apesar de a própria campanha do senador ter apresentado ao TSE um pedido para estender o horário de votação em municípios afetados por fortes chuvas e problemas no fornecimento de energia. A solicitação citava localidades de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, entre elas Belo Horizonte, Poços de Caldas, São Borja, Itaqui e Uruguaiana.
Lula foi reeleito com mais de 64 milhões de votos
O TSE confirmou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na noite de domingo. O presidente recebeu 64.256.232 votos, correspondentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio terminou a disputa com 59.826.041 votos, ou 48,21%.
A confirmação ocorreu depois de uma apuração marcada por alternância na liderança. Flávio havia terminado o primeiro turno na frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. No segundo turno, o petista reverteu a diferença e conquistou seu quarto mandato presidencial.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou ter segurança no processo eleitoral e destacou o trabalho realizado pela Justiça Eleitoral. Segundo o tribunal, a prorrogação do horário exigiu a suspensão temporária do recebimento de boletins de urna, o que provocou acúmulo de arquivos a serem processados, mas as equipes técnicas deram continuidade à totalização.
Autoridades defendem respeito ao resultado
Após a confirmação da vitória de Lula, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que o resultado deveria ser respeitado e declarou que a democracia havia saído fortalecida do processo eleitoral.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também ressaltou o papel das instituições na fiscalização do pleito e na defesa do direito de escolha dos eleitores. As manifestações ocorreram em meio aos questionamentos feitos por Flávio sobre a condução da votação e a legitimidade do resultado.
A tentativa de anulação anunciada pelo senador deverá ser formalizada por meio de medidas jurídicas. Até o momento, a declaração pública de que pretende contestar a eleição não altera o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral.




















