Flávio sai na frente e acelera alianças enquanto Lula reorganiza campanha para o 2º turno

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Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro (Foto: SEAUD/PR e Vittor Sales/Divulgação)

Candidato do PL busca ampliar apoio de governadores e partidos; petista tenta recuperar terreno após terminar primeiro turno quase 2 pontos atrás

A disputa presidencial entrou em uma nova fase imediatamente após o primeiro turno. Com Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Lula (PT), as duas campanhas passaram a reorganizar alianças, comunicação e estratégias para tentar conquistar os votos que serão decisivos no segundo turno, marcado para 25 de outubro. Flávio terminou a primeira etapa com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.

A campanha do candidato do PL começou a trabalhar para ampliar o apoio entre lideranças de direita, centro e centro-direita. Romeu Zema (Novo) declarou voto em Flávio na segunda-feira (5), enquanto Ronaldo Caiado (PSD) também aderiu à candidatura. Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito governador de São Paulo, participa das articulações para aproximar outras lideranças e partidos do candidato bolsonarista.

O resultado do primeiro turno também levou o PL a acelerar a organização da campanha nos estados. O presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, convocou governadores, senadores, deputados federais eleitos e integrantes da atual bancada para uma reunião em Brasília nesta quarta-feira (7), com a participação de Flávio. A intenção é analisar o desempenho nas urnas e definir ações para a reta final da disputa.

A estratégia inclui reforçar os palanques em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, três dos maiores colégios eleitorais do país, além de utilizar a estrutura de governadores, parlamentares e lideranças que saíram fortalecidos das eleições. A campanha também pretende explorar o desempenho da direita no Nordeste e buscar votos entre eleitores que apoiaram candidatos eliminados no primeiro turno.

Flávio tenta ampliar frente de apoio

A liderança conquistada no primeiro turno não é tratada pela campanha de Flávio como garantia de vitória. O objetivo é transformar a vantagem inicial em uma frente política mais ampla e evitar perda de votos durante as três semanas de campanha.

Além de Zema e Caiado, a campanha busca aproximar outras lideranças que ficaram fora do segundo turno. O apoio de governadores eleitos ou reeleitos é considerado estratégico para ampliar a presença do candidato nos estados.

A equipe também mira os eleitores de candidatos que não avançaram para a segunda etapa. A soma desses votos pode ser decisiva em uma disputa que terminou o primeiro turno separada por menos de dois pontos percentuais.

Outro foco será a mobilização dos eleitores que não compareceram às urnas. A abstenção no primeiro turno chegou a 21,8%, segundo levantamentos divulgados após a votação, e o comparecimento pode ter peso importante na definição do resultado em 25 de outubro.

Lula terá de mudar estratégia

Do lado do PT, o resultado obrigou a campanha a rever a estratégia traçada antes da votação. Lula terminou o primeiro turno atrás de Flávio, contrariando as expectativas de setores da campanha que trabalhavam com a possibilidade de o presidente sair na frente.

A equipe petista avalia que houve dificuldades na comunicação, problemas na distribuição de material de campanha e falta de coordenação entre diferentes núcleos responsáveis pela estratégia eleitoral. A campanha também identificou perda de terreno em estados importantes, especialmente São Paulo e Minas Gerais.

Agora, a intenção é transformar o segundo turno em uma disputa mais direta entre Lula e Flávio. A avaliação petista é que a presença de outros candidatos no primeiro turno diluiu a polarização e impediu que o eleitor tivesse de escolher diretamente entre os dois projetos.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que a campanha pretende apresentar a eleição como uma escolha entre projetos considerados antagônicos, com destaque para temas como renda, emprego, segurança pública, exploração de recursos estratégicos e soberania nacional.

A campanha também pretende ampliar a presença de Lula nos debates. O petista não participou dos confrontos entre presidenciáveis no primeiro turno, mas a expectativa é de que compareça a mais encontros na segunda etapa. O primeiro debate entre Lula e Flávio está previsto para 11 de outubro, enquanto a Globo programou o último confronto para 23 de outubro, dois dias antes da votação.

STF entra no centro da estratégia de Lula

Um dos primeiros movimentos de Lula após o resultado foi elevar o tom das críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em reunião com aliados na segunda-feira (5), o presidente afirmou que estaria “carregando nas costas” o que chamou de “promiscuidade” estabelecida na Suprema Corte.

A declaração ocorreu em meio à crise envolvendo o STF e o caso Banco Master. Lula defendeu uma nova discussão sobre a reforma do Judiciário, incluindo critérios para escolha dos ministros e a possibilidade de estabelecer mandatos para integrantes do tribunal.

O tema passou a fazer parte da estratégia eleitoral justamente no momento em que a campanha petista tenta reduzir o desgaste provocado pela crise institucional. Lula argumenta que a sociedade precisa discutir o funcionamento das instituições e as regras de composição do Supremo.

A questão do Judiciário, porém, também deverá ser explorada pelo campo bolsonarista, que há anos mantém críticas à atuação do STF. A nova configuração do Congresso, com forte crescimento de parlamentares ligados à direita, aumenta ainda mais o peso do tema durante a disputa presidencial.

Segurança pública será outro campo de disputa

A segurança pública deverá ganhar espaço nas próximas semanas. A campanha de Lula pretende estabelecer diferenças entre os dois candidatos e associar a eleição a diferentes modelos de enfrentamento ao crime organizado.

O PT também deve tentar explorar questionamentos sobre relações políticas do campo bolsonarista com grupos criminosos, enquanto apresenta ações e investigações realizadas durante o governo Lula.

Do outro lado, a campanha de Flávio trabalha para manter a segurança e o combate ao crime entre os temas centrais, ao lado de questões econômicas e do custo de vida.

Eleitorado indeciso será decisivo

Com os dois candidatos separados por uma diferença pequena no primeiro turno, a busca pelos eleitores que votaram em candidaturas derrotadas, além daqueles que se abstiveram ou votaram em branco e nulo, deve dominar a estratégia das próximas semanas.

Flávio chega ao segundo turno com a vantagem de ter terminado a primeira etapa na liderança e com apoios importantes já anunciados. Lula, por sua vez, precisa reverter a desvantagem e ampliar sua votação em regiões e segmentos nos quais perdeu espaço.

A eleição de 25 de outubro, portanto, começa com dois movimentos distintos: Flávio tenta transformar a liderança em uma frente ampla de direita e centro-direita, enquanto Lula precisa reorganizar a campanha, recuperar votos e convencer o eleitor de que ainda pode virar a disputa. A margem estreita do primeiro turno mantém o resultado em aberto.