Gaeco ‘barrando’ o CV prende 92 pessoas em MS entre policiais e advogado

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Após quase um ano e meio, de investigações e descobertas, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do MPE-MS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), foi as ruas, nesta sexta-feira (5), para colocar em pratica o que já se tem investigado e deflagrou a ‘Operação Bloodworm’. A ação saiu para colher e juntar mais provar para ‘barrar’ a facção criminosa carioca CV (Comando Vermelho) em MS. A ‘Bloodworm’ visava prender 92 pessoas pelo Estado, em lista que tem entre policiais penais e advogados. Seriam atingidos hoje, 10 municípios de MS e outras 12 cidades de quatro Estados, incluindo quatro grandes Capitais.

Conforme divulgado inicialmente, a Operação visava o cumprimento de 92 mandados de prisão preventiva e 38 de busca e apreensão na maior ofensiva contra o CV do Rio de Janeiro em MS, para combater o tráfico de drogas e armas. Assim, acostumado a operações contra o PCC (Primeiro Comando da Capital), facção surgida nos presídios de São Paulo, esta é uma das raras ofensivas do MPE-MS contra a organização criminosa que nasceu nas favelas da Capital carioca.

De acordo com Gaeco, os policiais estão nas ruas das cidades sul-mato-grossenses de Campo Grande, Ponta Porã, Coxim, Dourados, Rio Brilhante, Sonora, São Gabriel do Oeste, Rio Verde e Dois Irmãos do Buriti. Bem como nas cidades do Rio de Janeiro/RJ, Goiânia/GO, Brasília/DF, Cuiabá/MT, Paulo de Faria/SP, Várzea Grande/MT, Sinop/MT, Cáceres/MT, Marcelândia/MT, Primavera do Leste/MT, Vila Bela da Santíssima Trindade/MT e Mirassol d’Oeste/MT.

O trabalho investigativo durou cerca de 15 meses e descortinou a ação da facção criminosa para se estruturar e se expandir em MS, que se tornou importante rota do tráfico de drogas e de armas de fogo, em razão de sua posição geográfica (fronteira com o Paraguai e a Bolívia).

Gaeco 'barrando' o CV prende 92 pessoas em MS entre policiais e advogado
Operação apreendeu armas e dinheiro. Advogados e servidores públicos também são alvo (Foto: Divulgação Gaeco)

CV-MS via presídios

Segundo a investigação, a efetiva organização do Comando Vermelho, filial Sul-mato-grossense (CV–MS), teve início a partir da união de propósitos entre as lideranças reclusas no interior da Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira II, unidade prisional cujas rígidas regras de segurança não impediram o ingresso de aparelhos celulares para uso dos presos, o que se dava por intermédio de participação criminosa de policiais penais corrompidos e de advogado a serviço da facção.

“O uso criminoso dos aparelhos celulares e as ações de ‘pombo-correio’ empreendidas por advogados que integram a facção (gravatas) permitiam o contato entre os faccionados presos e seus comparsas em liberdade, a fim de traçar o planejamento de crimes como roubos, tráfico de drogas e comércio de armas, que foram reiteradamente praticados e comprovados durante a investigação, cujo proveito serviu para o fortalecimento do Comando Vermelho MS”, destacou o Gaeco.

Operação

O nome da operação faz alusão à larva vermelha (ou verme-sangue) de nome BLOODWORM, que se trata de um verme conhecido por ser feroz, venenoso, desagradável, mal humorado e facilmente provocado. Destaca-se por sua coloração vermelha, por viver aglutinado aos demais da mesma espécie e pela grande capacidade de resistência em condições ambientais extremas.

Além disso, ao se depararem com rivais, contam com seus dentes de cobre, que funcionam como verdadeiras armas, agindo de modo implacável para derrotá-los, características essas que possuem semelhanças com as ações violentas e hostis praticadas pela organização criminosa.

O Comando Vermelho foi fundado no município do Rio de Janeiro, há mais de 40 anos por custodiados do sistema penitenciário daquele Estado e desde então se proliferou por todo o Brasil, possuindo tanto integrantes reclusos quanto em condição de liberdade.

Equipes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público do Rio de Janeiro, dos GAECOs dos Ministérios Públicos do Rio de Janeiro, Mato Grosso e Goiás, do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul e da GISP prestaram apoio operacional ao GAECO/MS. A operação contou também com a participação das Comissões de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados das Seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil no MS, MT e RJ.

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