Gasolina comum passou a ter 32% de etanol na composição; regra dos 70% é apenas uma estimativa, e o consumo real do veículo ajuda a identificar a opção mais econômica
A diferença entre o preço da gasolina e o do etanol nem sempre revela qual combustível vai fazer o motorista gastar menos. Para escolher corretamente, é preciso considerar também o rendimento do carro, especialmente depois que a gasolina comum passou a receber uma proporção maior de etanol anidro. Uma conta simples, feita com os preços da bomba e o consumo médio do veículo, permite comparar o custo de cada quilômetro rodado.
A mistura E32 entrou em vigor em 1º de agosto de 2026 e elevou de 30% para 32% o teor obrigatório de etanol anidro na gasolina comum e na gasolina comum aditivada. A mudança foi estabelecida temporariamente por 180 dias, com possibilidade de prorrogação por igual período. Na gasolina premium, o percentual permanece em 25%, conforme a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Como funciona a regra dos 70%
A regra tradicional usada pelos motoristas de carros flex diz que o etanol costuma compensar quando custa até 70% do preço da gasolina. O cálculo é feito dividindo o preço do litro do biocombustível pelo valor do litro da gasolina.
Se o resultado for inferior a 0,70, o etanol tende a ser mais econômico. Se ficar acima desse percentual, a gasolina geralmente leva vantagem. O número, porém, é uma média: o rendimento varia conforme o modelo do carro, o motor, o trânsito e o tipo de percurso.
Com a adoção da gasolina E32, a proporção de 70% merece ainda mais cautela. A composição da gasolina mudou, mas isso não significa que todos os veículos passaram a ter um novo limite universal de 75% ou 78%. O ponto de equilíbrio depende do consumo efetivo de cada automóvel.
Veja um exemplo de cálculo
Considere um posto que venda gasolina a R$ 6,00 por litro e etanol a R$ 4,50. Ao dividir R$ 4,50 por R$ 6,00, o motorista encontra o resultado de 0,75, ou 75%.
Pela regra dos 70%, a gasolina seria a opção indicada. Mas a conclusão pode mudar quando se considera quantos quilômetros o veículo percorre com cada combustível.
Imagine um carro que faça 12 quilômetros por litro com gasolina e 9 km/l com etanol. Nesse caso, o cálculo fica assim:
- Gasolina: R$ 6,00 divididos por 12 km/l = R$ 0,50 por quilômetro.
- Etanol: R$ 4,50 divididos por 9 km/l = R$ 0,50 por quilômetro.
Nesse cenário, os dois combustíveis têm exatamente o mesmo custo por quilômetro, embora o etanol custe 75% do preço da gasolina.
Se o carro rodar apenas 8 km/l com etanol, o custo sobe para aproximadamente R$ 0,56 por quilômetro, tornando a gasolina mais vantajosa. Já com rendimento de 9,5 km/l no etanol, o custo cai para cerca de R$ 0,47 por quilômetro, favorecendo o biocombustível.
Como descobrir o custo por quilômetro
A comparação mais precisa consiste em dividir o preço do litro pelo consumo médio do veículo com cada combustível. O resultado mostra quanto custa percorrer um quilômetro.
A fórmula é:
Custo por quilômetro = preço do litro ÷ consumo em km/l
O motorista deve fazer a conta para a gasolina e para o etanol, utilizando os preços cobrados no mesmo posto. A alternativa com menor custo por quilômetro será a mais econômica em combustível para aquele cenário.
Também é possível calcular o preço máximo que vale pagar pelo etanol. Para isso, basta dividir o consumo do carro com etanol pelo consumo com gasolina e multiplicar o resultado pelo preço da gasolina.
No exemplo de um veículo que percorre 9 km/l com etanol e 12 km/l com gasolina, a relação é de 75%. Se a gasolina custar R$ 6,00, o etanol será financeiramente equivalente até R$ 4,50 por litro.
Como medir o consumo real do veículo
O consumo informado pelo fabricante ou exibido no computador de bordo pode servir como referência. Para ter uma estimativa mais próxima da realidade, o motorista pode fazer a medição a partir dos abastecimentos.
O procedimento é simples:
- Abasteça até o primeiro desarme automático da bomba.
- Zere o hodômetro parcial do veículo.
- Utilize o carro normalmente e registre a distância percorrida.
- No abastecimento seguinte, complete novamente até o primeiro desarme automático.
- Divida a quantidade de quilômetros percorridos pelos litros necessários para completar o tanque.
O resultado indica o consumo médio em quilômetros por litro. Para aumentar a confiabilidade, vale repetir o procedimento algumas vezes e comparar medições feitas em condições semelhantes de trânsito e percurso.
Mudança nos impostos pode alterar a conta
A comparação também ganhou importância após o governo federal anunciar, em 9 de outubro, a ampliação da desoneração de tributos sobre a gasolina. A medida zerou temporariamente as alíquotas de PIS/Pasep, Cofins e Cide-Combustíveis, elevando o benefício tributário equivalente de R$ 0,63 para R$ 0,89 por litro de gasolina A. O decreto estabeleceu prazo inicial de 30 dias para a medida.
Para o etanol hidratado, foi mantida a desoneração equivalente a R$ 0,19 por litro, enquanto a subvenção aos produtores e cooperativas aumentou de R$ 0,25 para R$ 0,43 por litro.
Esses valores não representam necessariamente uma redução imediata e integral no preço final pago pelo consumidor. O valor na bomba também depende dos preços praticados na cadeia de distribuição e revenda, além das condições de mercado.
Por isso, a recomendação é refazer a comparação sempre que houver mudança relevante nos preços. Mesmo com a gasolina E32 e as alterações tributárias, a decisão mais econômica continua dependendo da combinação entre o valor cobrado no posto e o rendimento real do carro.
Em resumo, a regra dos 70% serve como atalho, mas a conta do custo por quilômetro é a maneira mais precisa de comparar gasolina e etanol. O combustível mais barato por litro não é necessariamente aquele que custa menos para rodar.





















