
Nova estimativa é R$ 24 maior que a apresentada em abril e ainda poderá sofrer alterações
O salário mínimo deve passar dos atuais R$ 1.621 para R$ 1.741 em 2027, segundo projeção confirmada nesta segunda-feira (24) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. A estimativa será incluída no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, que o governo precisa encaminhar ao Congresso Nacional até a próxima segunda-feira (31).
A previsão representa aumento de R$ 120, equivalente a 7,4% em relação ao piso atual. O valor também é R$ 24 maior que a estimativa de R$ 1.717 apresentada pelo governo em abril, durante o envio do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
Apesar da nova projeção, os R$ 1.741 ainda não são o valor definitivo. O cálculo final dependerá do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) acumulado em 12 meses até novembro de 2026. Pela regra atual de valorização do salário mínimo, o reajuste considera a inflação mais um ganho real de 2,5%, respeitando os limites previstos na legislação.
Quando o novo salário mínimo será definido
O valor oficial deverá ser conhecido em dezembro, após a divulgação do INPC de novembro. Caso a projeção seja mantida, o piso de R$ 1.741 começará a valer em 1º de janeiro de 2027.
A política de valorização também leva em consideração o desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos antes. Para o cálculo do salário mínimo de 2027, entra na conta o crescimento da economia brasileira em 2025, que foi de 2,3%, segundo o IBGE.
A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda estima atualmente inflação de 4,93% no período de 12 meses até novembro. Mudanças no índice até o fim do ano podem alterar a previsão do piso.
Reajuste terá impacto nas contas públicas
O aumento do salário mínimo não afeta apenas os trabalhadores que recebem o piso. O valor também é usado como referência para aposentadorias e pensões do INSS, BPC (Benefício de Prestação Continuada), seguro-desemprego, abono salarial e contribuições de microempreendedores individuais (MEIs).
Cerca de 45% dos benefícios do Regime Geral da Previdência Social (RGPS) têm valor vinculado ao salário mínimo. Por isso, cada reajuste representa também uma elevação das despesas obrigatórias do governo.
Segundo estimativas apresentadas pelo governo em abril, cada R$ 1 de aumento no salário mínimo provoca um acréscimo de aproximadamente R$ 413,2 milhões nas despesas federais. Com a revisão de R$ 1.717 para R$ 1.741, a diferença de R$ 24 pode representar cerca de R$ 9,9 bilhões a mais nos gastos obrigatórios previstos para 2027.
Governo prepara Orçamento de 2027
O PLOA de 2027 será enviado ao Congresso até 31 de agosto e ainda precisará ser analisado e aprovado pelos parlamentares.
O ministro Dario Durigan afirmou que o governo trabalha com um orçamento “robusto” e que a expectativa é de que o crescimento das despesas obrigatórias fique abaixo da expansão geral do orçamento.
O reajuste do salário mínimo também terá reflexos na economia. Para as famílias que recebem o piso, a alta acima da inflação representa ganho real de renda e pode aumentar o consumo. Para o governo, porém, a elevação amplia as despesas com benefícios e reduz o espaço para outras áreas do orçamento.
A proposta orçamentária de 2027 também deverá incorporar as previsões de arrecadação dos novos tributos da reforma tributária sobre o consumo, entre eles a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o Imposto Seletivo.











