Grupo de MS anuncia pós-graduação em ufologia e volta ao centro de debate científico

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Vila de Zigurats, em Mato Grosso do Sul (Foto: Reprodução)

Dakila, sediada em Mato Grosso do Sul, lança curso de 360 horas enquanto pesquisas seguem sendo contestadas por especialistas

O Grupo Dakila, sediado em Mato Grosso do Sul, anunciou o lançamento de um curso de pós-graduação em ufologia. Com carga horária de 360 horas, a formação é apresentada como a primeira do gênero e integra as iniciativas do ecossistema liderado pelo empresário Urandir Fernandes de Oliveira, conhecido por divulgar pesquisas sobre objetos voadores não identificados e outras teorias contestadas pela comunidade científica.

Segundo publicações feitas pelo grupo nas redes sociais, a proposta é incentivar pesquisadores, estudiosos e pessoas interessadas no tema a explorar novas áreas do conhecimento. A divulgação ocorre enquanto a Dakila mantém projetos ligados à ufologia, arqueologia e astronomia alternativa.

Entre as principais linhas de pesquisa defendidas pelo grupo estão a hipótese da Terra convexa, a existência de uma antiga civilização chamada Muril e a suposta cidade de Ratanabá, que, segundo a organização, estaria localizada na Amazônia. Essas teorias, no entanto, não possuem reconhecimento científico e são contestadas por especialistas e instituições acadêmicas.

Escavações aguardam autorização

Desde 2023, a Dakila tenta obter autorização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para realizar pesquisas arqueológicas no município de Apiacás, em Mato Grosso.

De acordo com o grupo, a região poderia abrigar vestígios da civilização Muril e da suposta cidade de Ratanabá. Até o momento, a autorização para as escavações não foi concedida.

Comunidade científica contesta pesquisas

As iniciativas desenvolvidas pela Dakila são alvo de críticas de entidades ligadas às áreas de astronomia e arqueologia.

Representantes da comunidade científica afirmam que as teorias divulgadas pelo grupo não são sustentadas por evidências reconhecidas pelos métodos científicos e classificam essas hipóteses como pseudocientíficas.

Em documentos elaborados por pesquisadores da área de arqueologia, também há preocupação em relação aos pedidos de autorização para pesquisas arqueológicas apresentados pela organização.

Urandir critica meio acadêmico

Em vídeos publicados nas redes sociais, Urandir Fernandes de Oliveira afirma que parte da comunidade acadêmica dificulta o avanço de pesquisas desenvolvidas fora das instituições tradicionais.

Segundo ele, um pequeno grupo de pesquisadores controlaria a divulgação de informações arqueológicas e impediria o aprofundamento de estudos independentes.

Projeto Portal reúne outras iniciativas

Além da nova pós-graduação, o Grupo Dakila mantém o Projeto Portal, localizado em Corguinho, a cerca de 100 quilômetros de Campo Grande.

No local está sendo construída a chamada Cidade Zigurats, complexo que inclui uma pirâmide e outras estruturas idealizadas pelo grupo. O ecossistema Dakila também reúne empresas de diferentes segmentos, como a 067 Vinhos, a moeda digital BDM e empreendimentos nas áreas de construção civil, cosméticos e outros setores.

As pesquisas conduzidas pela organização abordam ainda fenômenos descritos como “luzes bioplásmicas”, apresentadas pelo grupo como manifestações luminosas associadas a objetos voadores não identificados. Essas interpretações, assim como as demais teorias divulgadas pela Dakila, não são aceitas como consenso pela comunidade científica.

Procurada por diferentes veículos de imprensa, a assessoria do Grupo Dakila informou que a organização não tem interesse em conceder entrevistas ou informações.