Hospital Nosso Lar recebe mais de R$ 1 mi em penas pecuniárias e amplia atendimento pelo SUS

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Foto: Divulgação

Uma sala mais ampla, quartos renovados, banheiros individuais, camas novas e ambientes climatizados. Para quem chega ao Hospital Nosso Lar em busca de tratamento psiquiátrico, as mudanças podem parecer apenas estruturais. Mas, para pacientes e profissionais, representam muito mais: significam mais dignidade, conforto e melhores condições para cuidar da saúde mental.

Essa transformação foi possível, em grande parte, graças ao aporte de R$ 1.013.232,91 em recursos de penas pecuniárias, destinado pela 2ª Vara de Execução Penal da comarca de Campo Grande à instituição. O valor foi empregado integralmente na reforma e ampliação da ala feminina destinada ao atendimento de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Iniciada em maio de 2025, a obra foi concluída nesta semana. Na tarde desta quarta-feira, dia 7 de outubro, o juiz da 2ª Vara de Execução Penal, Albino Coimbra Neto, esteve no Hospital Nosso Lar para conhecer pessoalmente o resultado da aplicação dos recursos.

“Nós encaminhamos um recurso no ano passado, das penas pecuniárias, de um pouco mais de R$ 1 milhão, para fazer toda uma reforma. A reforma já foi finalizada e é uma obra grande e importante para os pacientes atendidos pelo hospital”, destacou o magistrado.

A destinação do recurso levou em consideração a importância do Hospital Nosso Lar para a rede de atendimento em saúde mental de Mato Grosso do Sul. Fundada em 27 de janeiro de 1966, a instituição completou 60 anos de atuação dedicada ao tratamento psiquiátrico e atende tanto pacientes particulares e de planos de saúde quanto usuários encaminhados pelo SUS.

“É o único hospital psiquiátrico que nos atende muito eventualmente quando precisamos fazer tratamento de urgência, internação de urgência em função de alguma crise”, explicou o juiz Albino Coimbra. Segundo ele, a instituição também atende pessoas privadas de liberdade que necessitam de tratamento psiquiátrico, integrando a rede de atendimento considerada pela Justiça.

A destinação dos recursos também está alinhada à política antimanicomial e à busca por um atendimento cada vez mais humanizado às pessoas em sofrimento psíquico.

Para o presidente do Hospital Nosso Lar, Enier Fonseca, a parceria com o Judiciário foi fundamental para tirar do papel um projeto que já existia, mas aguardava recursos para ser executado.

A intervenção ampliou a capacidade da ala feminina do SUS de 28 para 38 leitos, além de promover uma completa reorganização do espaço físico.

O que antes era uma estrutura antiga, com banheiro coletivo, deu lugar a enfermarias mais adequadas, com banheiros individuais, quartos renovados, novos pisos e pintura, camas novas e climatização dos ambientes.

“Hoje é um prédio novo. Os quartos estão com camas novas, pintura nova, piso novo, banheiro novo. Ou seja, inauguramos uma ala nova do hospital”, resumiu Enier.

A climatização também foi apontada como uma melhoria significativa para o bem-estar dos pacientes, especialmente diante das altas temperaturas registradas em Mato Grosso do Sul.

A estrutura renovada integra uma concepção de tratamento que vai além da internação e do uso de medicamentos. No Hospital Nosso Lar, os pacientes contam com acompanhamento de uma equipe multidisciplinar e participam de atividades terapêuticas como musicoterapia, ioga, capoeira, educação física, academia, futebol e fisioterapia, entre outras ações.

“O hospital psiquiátrico mudou muito o conceito dele. Hoje é um tratamento mais humanizado. Temos diversas atividades terapêuticas durante o dia”, explicou o presidente.

Segundo Enier, a proposta é manter o paciente ativo durante o período de internação, estimulando sua recuperação e evitando que permaneça ocioso. “Você está ocupando a mente dele com alguma coisa produtiva. Ele não fica o tempo todo deitado num quarto ou numa cama. Paralelamente à medicação, existem todas essas atividades terapêuticas”, afirmou.

O atendimento pelo SUS segue os protocolos da rede pública. Os pacientes são encaminhados, em geral, pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e unidades básicas de saúde, passando pela Central de Regulação. A permanência no hospital é definida conforme a avaliação médica e a evolução de cada caso.

A destinação de penas pecuniárias pelo Poder Judiciário é um exemplo concreto de como recursos provenientes de decisões judiciais podem retornar à sociedade por meio de projetos e instituições que prestam serviços de interesse público.

O Hospital Nosso Lar já recebeu outros recursos provenientes de penas pecuniárias destinados a projetos importantes, entre eles a construção de um ateliê terapêutico e do Hospital Dia.