Investigação contradiz governo sobre 43 estudantes desaparecidos

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07/09/2015 07h30

Investigação contradiz governo sobre 43 estudantes desaparecidos

“Não existem provas que indiquem a presença de um fogo do tamanho de uma pira [funerária] para a cremação nem que fosse de um corpo”, disse especialista

Notícias ao Minuto

Uma investigação independente sobre o desaparecimento de 43 estudantes mexicanos concluiu neste domingo (06) que eles não poderiam ter sido incinerados em uma lixeira, refutando a tese oficial do governo do Presidente Enrique Peña Nieto.

Os pesaquisadores da Comissão interamericana de direitos humanos (CIDH) referem, nas cerca de 500 páginas do relatório, que um perito em fogos não encontrou “provas que suportem” a versão do Governo.

O gabinete do procurador-geral concluiu no final de 2014 que a polícia municipal da cidade de Iguala (estado de Guerrero, sul do México) sequestrou 43 jovens estudantes e, em seguida, os entregou ao grupo narcotraficante Guerreros Unidos.

Ao citar confissões de membros deste gangue, o então procurador-geral Jesus Murillo Karam disse que os estudantes foram mortos e colocados em uma pira funerária que ardeu durante 14 horas, antes de as suas cinzas terem sido despejadas em um rio das proximidades.

Apenas os restos humanos queimados de um estudante teria sido identificado no saco encontrado na água. No entanto, a comissão contratou um especialista peruano em fogos, que concluiu ser impossível que os estudantes tenham sido queimados na lixeira em Cocula.

José Torero, professor na universidade australiana de Queensland e natural do Peru, considerou que uma pira dessas dimensões teria queimado vegetação e lixo em seu redor, mas foram apenas encontradas provas de pequenos fogos.

Para cremar tantos corpos, teriam sido necessárias 30 toneladas de madeira, 13 toneladas de pneus e 13 toneladas de gasóleo para cremar tantos corpos, e o processo teria demorado 60 horas, concluiu Torero.

“Não existem provas que indiquem a presença de um fogo do tamanho de uma pira [funerária] para a cremação nem que fosse de um corpo”, precisou Torero no relatório.

Reuters