Investigação revela que agentes penitenciários de MS fazem parte do PCC

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Publicado em 28/07/2018 13h09

Investigação revela que agentes penitenciários de MS fazem parte do PCC

Por Redação

De acordo com as investigações da Operação Echelon, da Polícia Civil de São Paulo, agentes penitenciários de Mato Grosso do Sul estariam sendo “incorporados” a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

A conclusão se deu após a apuração de escutas telefônicas. Em um telefonema grampeado em 25 de novembro de 2017 um integrante do PCC, identificado como ‘J’, fala sobre excluir dois ‘irmãos’ da facção em Londrina, no Paraná. Pois novos dois integrantes, que seriam agentes penitenciários de lá, iriam ser ‘batizados’ na facção.

O ‘batismo’ é uma cerimônia, feita às vezes em conferência telefônica, na qual o criminoso afirma que aceita as regras da facção, respondendo um questionário. Ao ser aprovado, entra para o chamado Livro Branco, onde estão ‘irmãos’ do crime.

Em outra ligação, no dia 15 de novembro de 2017, Laudemir Costa dos Santos, o Dentinho, 39, que cumpre pena no presídio de Segurança Máxima de Campo Grande, teria ligado para um homem, o qual chama de ‘padrinho’ e dito: “Eu já estou batizando dois agentes penitenciários. Eles vão trazer o ‘Sub Zero’ aqui pra mim, pra eu conversar com ele.

Segundo Dentinho, outro integrante do PCC, identificado como Sub Zero, passou por cima do ‘brecamento’, que significa suspensão. Sub Zero Embora tivesse sido suspenso, pela facção, voltou a comprar drogas. Primeiro, ele tentou comprar 1 grama de cocaína dizendo a Dentinho que estava com um problema de saúde e foi para a enfermagem da cadeia. Na enfermagem conseguiu fazer uma compra de R$ 150 em cocaína.

Segundo o relatório da investigação, obtido pelo site UOL, Dentinho comanda o setor responsável por cadastrar e coordenar integrantes do PCC nos estados e no país, além dos que estão em situação de inadimplência ou dívida ou indisciplinas com a facção criminosa. E por isso iria mandar os agentes penitenciários ‘batizados’ levarem Sub Zero até ele.

A Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) do Mato Grosso do Sul afirmou que iria verificar as informações. “Informamos que até o momento a Agepen não foi comunicada sobre o inquérito pela Polícia Civil de São Paulo, mas a referida denúncia será encaminhada à Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário para as devidas apurações, e se necessário, à Corregedoria Geral da instituição”.

O presidente do Sinsap-MS (Sindicato dos Servidores da Administração Penitenciária de Mato Grosso do Sul), André Luiz Garcia Santiago, disse que até o momento o sindicato não possui o conhecimento dessa denúncia e que aguarda ser comunicado oficialmente pelas autoridades paulistanas. ” Se realmente houver servidores sul mato grossenses se aliciando ao PCC, o sindicato espera que esses agentes sejam prontamente investigados, exonerados e punidos criminalmente”, frisou.

À polícia Dentinho disse que não faz parte do PCC. Ele alegou apenas ter convívio com pessoas vinculadas à facção, de modo que nada sabe sobre nomes, expressões, cargos ou terminologias relacionadas ao crime organizado.

(Folhapress/Dalmo Curcio)