Junção da Ponte Bioceânica é adiada e deve ocorrer até o fim de junho

13
Os dois lados da estrutura devem ser unidos neste mês de junho (Foto: Toninho Ruiz)

Conexão definitiva entre os dois países dependia de ocorrer em maio, mas foi remarcada após avaliações de engenharia

A poucos metros de concretizar uma ligação histórica entre Brasil e Paraguai, a Ponte Internacional Bioceânica teve a etapa mais simbólica da obra adiada. A união definitiva das duas extremidades da estrutura, inicialmente prevista para o fim de maio, foi reprogramada e deve ocorrer entre a segunda quinzena e o final de junho.

A alteração no cronograma foi motivada por ajustes técnicos e avaliações de engenharia realizadas durante a execução dos trabalhos. Atualmente, a distância que separa os dois lados da ponte é de aproximadamente 20 metros.

Apesar da mudança na data, as obras seguem avançando em ritmo acelerado, especialmente nos acessos e rampas da estrutura. No lado paraguaio, equipes de construção trabalham em diversas frentes para concluir os serviços estruturais e de acabamento que antecedem a conexão definitiva entre os países.

A ponte, que já recebeu oficialmente do governo paraguaio a denominação de Ponte Internacional Bioceânica, é considerada uma das principais obras da Rota Bioceânica, corredor logístico que pretende conectar Brasil, Paraguai, Argentina e Chile por meio de uma extensa malha rodoviária até os portos do Oceano Pacífico.

Segundo as autoridades envolvidas no projeto, a nova previsão para a junção das estruturas depende menos do avanço físico da construção e mais de procedimentos administrativos e burocráticos necessários para a realização do evento.

A obra entre Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, e Carmelo Peralta, no Paraguai, começou em janeiro de 2022 e já ultrapassou 90% de execução. O investimento é de aproximadamente US$ 100 milhões, financiado pela margem paraguaia da Itaipu Binacional.

Além da ponte, o Paraguai também executa a pavimentação de um acesso de 3,8 quilômetros que ligará a estrutura à rodovia PY-15, integrante da Rota Bioceânica. O empreendimento recebeu aporte de cerca de US$ 20 milhões e tem conclusão prevista para outubro deste ano.

Enquanto isso, o lado brasileiro avança em ritmo diferente. As obras de acesso começaram em setembro de 2024 e incluem a implantação de 13,1 quilômetros de rodovia ligando a BR-267 à ponte internacional, além da construção do Centro Unificado de Fronteira Brasil-Paraguai.

Com investimento estimado em R$ 500 milhões, o projeto brasileiro prevê ainda um viaduto na BR-267 e seis pontes ao longo do trajeto. Duas dessas estruturas já foram concluídas. Mesmo assim, a previsão do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) é entregar o acesso rodoviário completo apenas em dezembro de 2027.

O cronograma evidencia uma diferença superior a um ano entre a conclusão da ponte internacional e a finalização da infraestrutura necessária para sua plena integração ao lado brasileiro.

Quando concluída, a Rota Bioceânica terá mais de 3,2 mil quilômetros de extensão, ligando os oceanos Atlântico e Pacífico por meio de Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. A expectativa é que o corredor se transforme em uma importante alternativa logística para o transporte de cargas entre a América do Sul e os mercados asiáticos.

Estudos apresentados pelos países envolvidos apontam potencial para reduzir em até 30% os custos logísticos e diminuir em até 15 dias o tempo de transporte de mercadorias em comparação com rotas marítimas tradicionais, como a que utiliza o Canal do Panamá.