Axia Energia Sul assumirá empreendimento de R$ 150,7 milhões após atrasos da antiga concessionária
A ampliação da infraestrutura de transmissão de energia em Mato Grosso do Sul ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (3). Em leilão promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a empresa Axia Energia Sul venceu a disputa pelo lote que prevê a construção da Subestação Iguatemi 2 e de novas linhas de transmissão no sul do Estado, em um empreendimento estimado em R$ 150,7 milhões.
O leilão foi realizado na sede da B3, em São Paulo, como parte do certame nacional que ofertou quatro lotes de transmissão de energia à iniciativa privada. O projeto sul-mato-grossense tem como objetivo ampliar a capacidade da rede elétrica, facilitar o escoamento da produção de energia e reforçar o fornecimento para o setor industrial da região.
A Axia Energia Sul garantiu a concessão ao apresentar uma Receita Anual Permitida (RAP) de R$ 10,8 milhões, o que representa um desconto de 59,04% em relação ao teto estabelecido pela Aneel. Ao todo, seis empresas e consórcios participaram da disputa pelo lote de Mato Grosso do Sul.
O empreendimento contempla a implantação da Subestação Iguatemi 2, com tensão de 230/138 quilovolts (kV) e capacidade de 300 MVA, além da construção de dois trechos de linhas de transmissão em 230 kV, com extensão de 3,1 quilômetros. A nova estrutura será conectada à linha Guaíra-Dourados C1 e atenderá principalmente a região de Naviraí.
Projeto estava atrasado
A obra deveria ter entrado em operação em setembro de 2024, mas sofreu sucessivos atrasos sob responsabilidade da antiga concessionária, a MEZ Energia, que venceu o leilão realizado em 2020.
Levantamento divulgado em setembro de 2025 apontava que o empreendimento havia alcançado apenas 40% de execução global. Apesar do avanço em etapas como regularização fundiária e licenciamento ambiental, as obras civis ainda não haviam sido iniciadas e os serviços eletromecânicos registravam execução mínima.
Diante do descumprimento dos cronogramas, a Aneel recomendou ao Ministério de Minas e Energia (MME), em maio de 2025, a extinção de cinco concessões da empresa, incluindo a da Subestação Iguatemi 2.
A concessionária alegou que os atrasos foram provocados pelos impactos da pandemia de Covid-19, pela alta dos custos de equipamentos e pelos efeitos da guerra na Ucrânia. A agência reguladora, no entanto, entendeu que esses fatores faziam parte dos riscos do contrato e defendeu a transferência dos empreendimentos para novos operadores.
Leilão encerra impasse
A recomendação da Aneel deu origem a um impasse com o Ministério de Minas e Energia, que optou por encaminhar o caso ao Tribunal de Contas da União (TCU) antes de decidir sobre a cassação das concessões.
Inicialmente, os projetos chegaram a ser incluídos em um leilão previsto para 2025, mas foram retirados da disputa enquanto o processo permanecia em análise. Com isso, a licitação foi adiada para 2026.
Agora, com a definição da Axia Energia Sul como vencedora do lote, a expectativa é que o empreendimento finalmente avance e permita a conclusão da infraestrutura de transmissão prevista para o sul de Mato Grosso do Sul.
Investimentos e geração de empregos
Segundo a Aneel, os contratos firmados no leilão terão duração de 30 anos e deverão atrair bilhões de reais em investimentos privados em todo o país.
Além de ampliar a confiabilidade do sistema elétrico, a expectativa da agência é de que as obras gerem milhares de empregos diretos e indiretos durante as fases de implantação e operação dos empreendimentos nas regiões contempladas.


