Linguiça de Maracaju passa a ter proteção internacional após acordo Mercosul e União Europeia

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Produto sul-mato-grossense passa a ter indicação geográfica reconhecida internacionalmente (Foto: Comunicação Governo de MS)

Produto tradicional de MS entra na lista de 37 itens brasileiros com indicação geográfica reconhecida na Europa

A linguiça de Maracaju, símbolo da culinária sul-mato-grossense, ganhou neste sábado (17) um selo que atravessa fronteiras. Com a assinatura do Acordo de Parceria entre Mercosul e União Europeia, em Assunção, no Paraguai, o produto passou a ter proteção internacional por indicação geográfica, mecanismo que impede o uso indevido do nome fora da região de origem.

O acordo, além de resguardar a identidade da iguaria produzida a 159 quilômetros de Campo Grande, cria a maior área de livre comércio do mundo, reunindo um mercado estimado em cerca de 700 milhões de consumidores e prevendo ampla redução de tarifas sobre bens e serviços entre os dois blocos.

A indicação geográfica garante que apenas produtores autorizados, localizados nas regiões reconhecidas, possam utilizar a denominação registrada. A medida preserva características ligadas ao território, à tradição e ao modo de produção, valorizando produtos regionais e combatendo imitações no mercado internacional.

Ao todo, 37 produtos brasileiros passam a ter proteção no acordo. Entre eles estão cachaças de Abaíra, Paraty e Salinas; queijos como Canastra e Serro; vinhos das regiões de Altos Montes, Farroupilha, Monte Belo, Pinto Bandeira, Vale dos Vinhedos e Vales da Uva Goethe; além de cafés, erva-mate e especiarias de áreas como Alta Mogiana, Serra da Mantiqueira, Cerrado Mineiro e Norte Pioneiro do Paraná.

Também entram na lista frutas e nozes frescas e processadas de Carlópolis, Marialva, Mossoró, Piauí e Vale do Submédio São Francisco; mel do Oeste do Paraná, Ortigueira e Pantanal; carnes frescas, congeladas e processadas de Maracaju e do Pampa Gaúcho da Campanha Meridional; cacau de Linhares; produtos de confeitaria e panificados de Pelotas; crustáceos da Costa Negra; além de itens como a Própolis Verde de Minas Gerais, produtos dos Manguezais de Alagoas, o inhame da Região São Bento de Urânia e as especiarias da Mara Rosa.

O Acordo Mercosul–União Europeia tem 20 capítulos e estabelece regras para comércio de bens e serviços, investimentos, compras governamentais, propriedade intelectual e apoio a pequenas e médias empresas. Os textos foram concluídos em dezembro de 2024 e agora seguem para os trâmites internos e processos de ratificação nos países envolvidos. A entrada em vigor ocorrerá um mês após a conclusão desses procedimentos.

No comércio de bens, a União Europeia prevê a liberalização de cerca de 95% dos produtos do Mercosul, enquanto o bloco sul-americano reduzirá tarifas sobre aproximadamente 91% dos bens europeus, com prazos que variam de quatro a 15 anos. Setores considerados sensíveis terão cotas ou tratamentos específicos, e o acordo inclui ainda compromissos ambientais, com referência ao Acordo de Paris e à Agenda 2030.

Para produtores de Mato Grosso do Sul, a proteção da linguiça de Maracaju representa não apenas o reconhecimento de uma tradição local, mas também a abertura de novas oportunidades em um dos mercados mais exigentes do mundo.