Lula vai à ONU e pode encontrar Trump nos corredores durante Assembleia em Nova York

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Presidente Lula (Foto: Ricardo Stuckert)

Presidentes discursam em sequência na terça-feira; governo brasileiro recebeu ao menos 30 pedidos de reuniões bilaterais para a viagem

A viagem de Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos começa neste domingo (20) com uma agenda concentrada em menos de 48 horas e cercada por expectativas sobre o discurso que o presidente fará na abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Lula chega à cidade para uma série de reuniões diplomáticas e deve deixar os EUA logo após falar no plenário, na terça-feira (22).

A principal atenção estará voltada ao pronunciamento de Lula, que será o primeiro entre os chefes de Estado no Debate Geral da 81ª Assembleia Geral da ONU. Logo depois dele, será a vez do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A proximidade entre os discursos alimenta a expectativa de algum contato entre os dois nos bastidores, mas não há, até o momento, reunião bilateral formal marcada entre eles.

O governo brasileiro recebeu pelo menos 30 pedidos de encontros bilaterais com Lula durante a passagem por Nova York. A agenda, porém, deve incluir apenas uma parte dessas solicitações, devido ao curto período da viagem e às restrições de segurança e logística em torno da sede da ONU.

Entre os compromissos previstos está uma reunião com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, marcada para segunda-feira (21). O encontro ocorrerá na residência do embaixador do Brasil junto à ONU e foi solicitado pelo prefeito.

Também existe a possibilidade de Lula e Trump se encontrarem informalmente nos corredores da ONU. Como os dois discursos ocorrerão em sequência, os presidentes estarão no mesmo local na manhã de terça-feira. Um encontro bilateral, no entanto, não consta da programação oficial divulgada até agora.

Veja a agenda de Lula em Nova York

  • 20 de setembro: chegada de Lula a Nova York.
  • 21 de setembro: reuniões bilaterais, encontro com Zohran Mamdani e preparação final do discurso.
  • 22 de setembro: discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU e retorno ao Brasil.

A 81ª Assembleia Geral da ONU reúne representantes dos 193 países-membros. O Debate Geral será realizado de 22 a 28 de setembro, sob o tema “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”. A presidência da sessão está a cargo do diplomata de Bangladesh Khalilur Rahman.

Por tradição, o Brasil abre o Debate Geral desde 1955. Depois do pronunciamento brasileiro, o país anfitrião, os Estados Unidos, faz a segunda fala. Neste ano, Trump será o representante norte-americano no plenário.

O que Lula deve abordar no discurso

O pronunciamento ainda passa por ajustes e poderá sofrer alterações até a viagem. Segundo informações de integrantes do governo, Lula deve concentrar a fala em temas tradicionais da política externa brasileira, como soberania, democracia, multilateralismo, respeito ao direito internacional e defesa da negociação para solucionar conflitos.

A expectativa é que o presidente também trate de questões relacionadas às guerras em andamento, mudanças climáticas, comércio internacional, inteligência artificial e combate ao crime organizado transnacional.

Outro ponto previsto é a defesa da cooperação entre os países para enfrentar organizações criminosas, mas com respeito à soberania e à autonomia de cada Estado. A orientação, segundo relatos sobre a preparação do discurso, é evitar referências diretas a Trump ou aos Estados Unidos.

Lula também deverá defender a reforma do Conselho de Segurança da ONU. O órgão é formado por cinco membros permanentes — Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido —, que possuem poder de veto, e dez membros não permanentes, eleitos para mandatos de dois anos.

O governo brasileiro defende há anos uma ampliação do Conselho, com a inclusão de novos países entre os membros permanentes. O tema faz parte da agenda de reforma das instituições multilaterais defendida pelo Brasil.

Recados sobre soberania e eleições

Um dos pontos mais sensíveis do discurso será a defesa da soberania brasileira e do princípio de não interferência em assuntos internos.

Segundo relatos de auxiliares do presidente, Lula pretende abordar a defesa das instituições e do processo eleitoral brasileiro sem citar nominalmente os Estados Unidos ou Donald Trump. A intenção é utilizar uma linguagem diplomática para apresentar a posição brasileira diante de divergências recentes entre os dois governos.

O texto ainda pode ser alterado até os momentos que antecedem o pronunciamento. A previsão é de que Lula faça referências gerais à soberania e à democracia, evitando transformar o discurso em um confronto direto com governos específicos.

Mudanças no comando da ONU

A Assembleia Geral deste ano também ocorre em um momento de transição na Secretaria-Geral da ONU. António Guterres está no último período de seu mandato, e a organização deverá escolher seu sucessor.

O Brasil já manifestou apoio à candidatura da ex-presidente do Chile Michelle Bachelet. A escolha do novo secretário-geral será feita pela Assembleia Geral a partir de uma indicação do Conselho de Segurança.

Delegação brasileira

Embora Lula retorne ao Brasil após o discurso de terça-feira, parte da delegação brasileira permanecerá em Nova York durante a semana para participar de outros compromissos da programação da ONU.

Entre os integrantes da comitiva estão o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira; o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco; o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias; a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck; a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara; a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco; e integrantes da assessoria presidencial.

A programação da semana inclui ainda reuniões sobre segurança internacional, direito internacional, clima, desenvolvimento sustentável e a situação de conflitos que permanecem no centro da agenda diplomática mundial. A ONU prevê uma série de eventos de alto nível entre 22 e 29 de setembro.