Médicos ameaçam demissão em massa na Santa Casa por falta de pagamento e escassez de insumos

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(Foto: Divulgação)

Em um vídeo publicado no perfil oficial da Santa Casa de Campo Grande no Instagram nessa quarta-feira (29), a diretora clínica, Dr. Izabela Falcão, anunciou a paralisação imediata dos atendimentos ambulatoriais e das cirurgias eletivas.

Segundo explicou, essa decisão foi tomada após a reunião com os chefes dos serviços, motivada pela falta de insumos básicos e, principalmente, pelo atraso no pagamento dos médicos.

“Mediante uma escassez de insumos, insumos básicos, materiais, emergências e o atraso de pagamento dos médicos PJs [pessoa jurídica] e independentes, deliberamos que paralisaremos os atendimentos ambulatoriais e também suspenderemos as cirurgias eletivas”, anunciou.

A diretora também comunicou que, se no prazo de 30 dias, as pendências não forem resolvidas, ocorrerá uma saída em massa dos médicos da Santa Casa.

Somente as especialidades de hematologia, oncologia e a equipe de transplante renal continuarão com seus atendimentos normalmente, devido à complexidade desses pacientes.

“Já notificamos também todos os órgãos competentes, CRM, Ministério Público, Secretários de Saúde, tanto do Estado como do Município. Esperamos que essa situação se resolva o quanto antes, para não haver um colapso assistencial”, finalizou.

Crise financeira crônica

Há tempos a Santa Casa de Campo Grande enfrenta uma crise financeira severa, com constantes relatos de atraso nos pagamentos de diferentes categorias que atuam no complexo hospitalar. Paralisações e greves se tornaram constantes nos últimos anos.

Recentemente, a Associação Beneficente de Campo Grande (ABCG), entidade que administra o hospital, explicou que o problema se arrasta há mais de 20 anos, com intervenção entre 2005 e 2013 que não resolveu a questão.

A dívida total gira em torno de R$ 600 milhões, atribuída principalmente à defasagem da Tabela SUS e à falta de reajuste nos contratos públicos. Além disso, a entidade estima ter a receber na Justiça cerca de R$ 757,2 milhões.

Desse montante, R$ 678,5 milhões são de processo de 2016 que estão parados no STJ, referente à defasagem da Tabela SUS desde 2010; R$ 52,1 milhões são de verbas não repassadas durante a pandemia de Covid‑19; e R$ 26,5 milhões referentes a convênio com o município.

A Santa Casa é o maior hospital público de Mato Grosso do Sul e, por conta da alta demanda, o pronto‑socorro está superlotado. Áreas projetadas para 5 ou 6 pacientes atendem cerca de 20, e os casos registrados são mais graves e complexos, elevando custos e tempo de internação.