Medo de perder o emprego atinge 77,5% dos trabalhadores, aponta pesquisa

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Geração X lidera índice de insegurança, enquanto jovens mostram mais otimismo (Foto: IA)

Insegurança persiste mesmo fora de crises e independe do desempenho profissional

Mesmo sem sinais imediatos de demissão, o medo de perder o emprego acompanha a maioria dos trabalhadores brasileiros ao longo da carreira — e atinge até quem apresenta bom desempenho profissional.

É o que revela a pesquisa Panorama do Trabalho no Brasil, realizada pela empresa Serasa Experian. De acordo com o levantamento, 77,5% dos profissionais dizem já ter sentido insegurança em relação à manutenção do emprego, mesmo em períodos de estabilidade econômica e sem cortes em massa.

O receio é mais presente entre trabalhadores da Geração X, formada por pessoas nascidas entre 1965 e 1980, grupo em que 81,2% afirmam já ter temido o desemprego. Em seguida aparecem os Millennials (77%), os Baby Boomers (73,5%) e a Geração Z (72,9%).

Para a gerente de Recursos Humanos da Serasa Experian, Fernanda Guglielmi, o sentimento está menos ligado ao desempenho individual e mais à percepção de estabilidade dentro das empresas.

Segundo ela, a falta de clareza sobre o futuro profissional, reconhecimento e previsibilidade contribui para a insegurança, mesmo entre profissionais experientes.

Quando questionados sobre o que poderia aumentar a sensação de estabilidade, mais da metade dos entrevistados (54,8%) apontou a existência de planos de carreira bem definidos e critérios objetivos de crescimento. Outros fatores citados foram a valorização da experiência e do tempo de empresa (46,2%) e a oferta de treinamentos contínuos (41,1%).

A importância de planos estruturados aparece em todas as gerações. Entre os Millennials, 56,8% destacam esse fator como essencial. Na Geração X, o índice é de 52,1%, enquanto entre os Baby Boomers chega a 58,1%. Já na Geração Z, 53,4% também consideram a clareza sobre progressão profissional determinante para se sentirem mais seguros.

Apesar do cenário de insegurança, a pesquisa aponta um avanço no otimismo, principalmente entre os mais jovens. Entre trabalhadores da Geração Z, a expectativa de estabilidade para o próximo ano saltou de 37,9% para 54,3%, o maior crescimento entre os grupos analisados.

Entre os Millennials, o índice subiu de 49,4% para 58,4%, enquanto na Geração X passou de 55,8% para 61,4%. Já entre os Baby Boomers, houve leve recuo, de 64,7% para 62,5%.

O levantamento indica que, embora o medo do desemprego ainda seja uma constante no mercado de trabalho brasileiro, ações como transparência, valorização profissional e oportunidades de crescimento podem reduzir essa percepção e aumentar a confiança dos trabalhadores.