MP pede suspensão de obra de CAPS em praça pública no Guanandi

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Órgão recomenda paralisação imediata da obra e restauração do espaço no Bairro Guanandi

Ministério Público aponta possível uso irregular de área destinada ao lazer da população em Campo Grande

Uma obra cercada por tapumes, materiais de construção espalhados e um impasse que agora pode parar na Justiça. A construção de um CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) infantojuvenil no Bairro Guanandi, em Campo Grande, entrou na mira do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que recomendou a suspensão imediata das intervenções em uma área pública destinada originalmente ao lazer da população.

A recomendação foi expedida pela 34ª Promotoria de Justiça, que apura possível uso irregular da Praça Artemizia da Silva Lima, localizada entre as ruas Amiuté, Dona Neta e a Avenida Manoel da Costa Lima.

Segundo o MPMS, a área foi oficialmente reconhecida como praça pela Lei Municipal nº 6.463/2020, o que a caracteriza como bem de uso comum do povo. Para o órgão, a instalação de um equipamento público de saúde no local representa alteração da finalidade da área sem que tenha ocorrido a chamada “desafetação” — procedimento legal necessário para mudar a destinação de um espaço público.

No documento, o promotor Luiz Antônio Freitas de Almeida afirma que a mudança não pode ocorrer apenas por decisão administrativa da prefeitura.

“A desafetação só poderá ser feita por outra lei, devidamente fundamentada no interesse público”, aponta a recomendação.

O Ministério Público determinou que o município suspenda imediatamente qualquer intervenção que descaracterize a praça, incluindo licenças, contratos e alvarás relacionados à obra. O órgão também estabeleceu prazo de dois meses para que a prefeitura desfaça as alterações já realizadas e restaure o espaço original, caso a situação não seja regularizada legalmente.

Atualmente, o local já apresenta sinais de obras. A área está cercada por tapumes e parte do terreno recebeu construção de muro. Também foram observados materiais como areia, pedras, tijolos e betoneira, embora não houvesse máquinas operando no momento da vistoria.

A recomendação do MPMS não possui efeito imediato obrigatório, mas funciona como um alerta formal ao município. Caso seja ignorada, o órgão poderá recorrer à Justiça para pedir a paralisação judicial da obra.

O projeto prevê a construção de um CAPS voltado exclusivamente ao atendimento de crianças e adolescentes, ampliando a rede de saúde mental de Campo Grande. Hoje, apenas uma unidade atende esse público na Capital, localizada no Bairro Monte Castelo.

A futura estrutura inclui salas de atendimento individual e coletivo, brinquedoteca, dormitórios, farmácia, refeitório e espaços administrativos. O investimento previsto é de R$ 3,2 milhões, com prazo estimado de até 18 meses para conclusão.

A escolha do terreno, no entanto, gerou reação entre moradores do Guanandi. Parte da comunidade organizou abaixo-assinado contra a obra e afirma que a área deveria ser transformada em praça estruturada, reivindicação antiga do bairro.

Entre as reclamações apresentadas pelos moradores estão preocupações com aumento da circulação de usuários de drogas e possíveis impactos na segurança da região.

O Ministério Público também requisitou que a prefeitura informe, em até dois meses, se irá cumprir ou não a recomendação, além de apresentar documentos sobre as providências adotadas. A medida foi encaminhada à prefeita, secretarias municipais, Planurb e Câmara Municipal.