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quarta-feira, 24 de julho, 2024
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MPE pede fechamento de cantinas em todos os presídios de MS

O MPE-MS (Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul) solicitou em recomendação que se faça o fechamento de cantinas em presídios de MS. O órgão publicou no DOE (Diário Oficial do Estado) desta quarta-feira (12), um documento que visa a adoção de medidas ao encerramento do ‘comércio’ em estabelecimentos penais do Estado. O pedido leva em consideração diversos pontos legais e constitucionais que destacam a responsabilidade do Estado em prover assistência material aos presos.

A recomendação, que visa proibir a venda de alimentos nos presídios de Mato Grosso do Sul, apontando ser espaço para organizações criminosas, é dirigida à Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen/MS) e à Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).

A prática de permitir a existência de cantinas nos presídios, onde produtos são vendidos aos detentos, tem sido apontada como uma das causas de diversos problemas no sistema carcerário, incluindo o fortalecimento de organizações criminosas dentro dos estabelecimentos penais.

O MPMS ressalta que a exploração de atividades econômicas pelo Estado, como a comercialização de produtos nas cantinas, deve ocorrer apenas em caráter excepcional, conforme disposto no artigo 173 da Constituição Federal. Além disso, o órgão aponta que a existência das cantinas sobrecarrega financeiramente as famílias dos detentos, que muitas vezes não possuem acesso ao auxílio-reclusão e acabam comprometendo suas necessidades básicas para sustentar seus parentes encarcerados.

Espaço para organizações criminosas

A recomendação destaca que as cantinas se tornaram espaços propícios para a atuação de organizações criminosas, já que a escassez de alimentos e itens essenciais à sobrevivência no cárcere é monopolizada pelos presos com maior poder de influência. Conforme o MPMS a dinâmica das cantinas contribui para a violação do princípio da intranscendência da pena, impactando negativamente as famílias dos detentos. 

Diante desse cenário, o MPMS, através do Grupo de Atuação Especial da Execução Penal (GAEP), recomendou à Agepen e à Sejusp que adotem providências imediatas para o encerramento das cantinas existentes e proíbam a comercialização de produtos nos estabelecimentos penais. Os órgãos têm o prazo de 30 dias para responder ao MPMS sobre o cumprimento da recomendação, informando as providências já implementadas ou que pretendem implementar, com o respectivo cronograma de atividades. 

De acordo com o documento assinado pela promotora de Justiça Jiskia Sandri Trentini essa iniciativa do MPMS visa corrigir irregularidades detectadas nos estabelecimentos prisionais, garantindo a proteção dos interesses difusos e coletivos dos presos e fortalecendo a estrutura do sistema carcerário, alinhada aos princípios de legalidade e eficiência estabelecidos na Constituição Federal. 

A analisar

A Agepen afirmou que está analisando a recomendação e reforçou que a existência de cantinas obedece ao que está previsto na Lei de Execução Penal, em seu artigo 13, segundo o qual “o estabelecimento penitenciário disporá de instalações e serviços que atendam aos presos nas suas necessidades pessoais, além de locais destinados à venda de produtos e objetos permitidos e não fornecidos pela administração”.

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