MS já colheu quase dois terços do milho segunda safra; veja como estão as lavouras

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Quase 70% das lavouras de milho estão em boas condições em MS (Foto: Gov MS)

Levantamento aponta que 69% das áreas avaliadas apresentam boas condições e estima produção de 11,1 milhões de toneladas

A colheita do milho segunda safra avançou para 63,9% da área monitorada em Mato Grosso do Sul até 14 de agosto, segundo levantamento do Projeto SIGA-MS. O índice representa cerca de 1,41 milhão de hectares já retirados do campo, mas ainda está 2,9 pontos percentuais abaixo do ritmo registrado no mesmo período da safra anterior.

O monitoramento é realizado pela Aprosoja/MS com apoio de técnicos que acompanham propriedades e consultam produtores, sindicatos rurais e empresas de assistência técnica nos principais municípios produtores do Estado.

Entre as regiões avaliadas, o Norte lidera o avanço da colheita, com 76,4% da área já colhida. Em seguida aparecem a região Centro, com 64,9%, e a Sul, com 61,6%.

Apesar do ritmo inferior ao da safra 2024/2025, a maior parte das lavouras ainda apresenta condições consideradas favoráveis. O levantamento aponta que 69% das áreas avaliadas estão em boas condições. Outras 19,7% foram classificadas como regulares e 11,3% como ruins.

Condições das lavouras variam entre regiões

O cenário é diferente entre as regiões produtoras. Na região Centro, 57,9% das lavouras estão em boas condições, enquanto 18,2% são consideradas regulares e 23,8%, ruins.

Na Sul-Fronteira, 62,3% das áreas estão em boas condições, 20% em situação regular e 17,7% foram classificadas como ruins.

Já na região Sul, 64,6% das lavouras apresentam boas condições. As áreas regulares representam 30,5%, enquanto 4,9% estão em situação considerada ruim.

A classificação leva em conta a área cultivada de cada propriedade e critérios técnicos como desenvolvimento das plantas, presença de pragas e doenças, população de plantas e outros fatores capazes de influenciar o rendimento da lavoura.

Área de milho diminui em MS

A safra 2025/2026 também ocorre em meio a uma mudança no perfil das áreas agrícolas do Estado. O Projeto SIGA-MS estima que foram cultivados 2,206 milhões de hectares de milho segunda safra, área equivalente a cerca de 46% daquela destinada à soja.

O percentual representa uma redução em relação aos 75% registrados em anos anteriores.

Segundo o levantamento, a mudança está relacionada principalmente à janela de plantio definida pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), que considera fatores como disponibilidade de água, possibilidade de geadas e distribuição das chuvas durante o ciclo da cultura.

Com a necessidade de reduzir a exposição aos riscos climáticos, produtores passaram a diversificar parte das áreas com culturas como sorgo, milheto e pastagens.

Em regiões que registraram perdas provocadas por estresse hídrico em safras anteriores, agricultores também vêm testando alternativas como sorgo verão, chia, carinata e melancia.

Produção estimada

A previsão inicial para a safra aponta produtividade média de 84,2 sacas por hectare e produção total estimada em 11,139 milhões de toneladas.

Uma nova atualização da produtividade média estadual está prevista para o início de setembro, quando o levantamento dos técnicos deverá atingir 10% da área estimada.

Até o momento, as produtividades observadas variam de 40 a 192 sacas por hectare. Segundo o SIGA-MS, as condições climáticas ao longo do ciclo favoreceram, de maneira geral, o desenvolvimento das lavouras e mantêm uma perspectiva positiva para a produção.

Chuva irregular influencia ritmo da colheita

O avanço das máquinas ocorre em um período de mudanças nas condições do tempo. Na semana analisada, as chuvas foram irregulares entre as regiões, mas predominantemente fracas, o que contribuiu para a continuidade dos trabalhos no campo.

Em julho, a distribuição das precipitações também foi desigual. Áreas do Norte, Nordeste, Pantanal e Sudoeste registraram volumes abaixo da média climatológica, com acumulados entre 0 e 20 milímetros em determinados pontos.

Já regiões Central, Leste e Sudeste receberam volumes maiores, entre 40 e 120 milímetros.

Para os próximos dias, a previsão indica a continuidade do tempo quente e seco, com temperaturas que podem alcançar entre 37°C e 40°C principalmente nas regiões Pantaneira, Norte, Nordeste e Leste.

Na sequência, uma frente fria deve avançar sobre Mato Grosso do Sul, provocando possibilidade de pancadas de chuva e tempestades isoladas, especialmente no Oeste, Sudoeste, Sul e Centro-Sul.

Depois da passagem do sistema, as temperaturas devem cair de forma acentuada. As mínimas podem ficar entre 9°C e 11°C, com possibilidade de registros abaixo de 7°C ou 8°C em pontos específicos da região Sul.

O boletim também aponta previsão de ocorrência de El Niño forte a muito forte entre agosto e outubro, com probabilidade próxima de 90%. O fenômeno pode contribuir para temperaturas acima da média e maior frequência de ondas de calor entre a primavera e o início do verão.

Com quase dois terços da área monitorada já colhida, o milho segunda safra entra na reta final em algumas regiões de Mato Grosso do Sul, enquanto outras ainda avançam nas operações. Ao mesmo tempo, o cenário reforça a preocupação dos produtores com o clima e a necessidade de diversificação das culturas nas propriedades.