Mulher de 37 anos presa em SC por fingir ser adolescente já aplicou o mesmo golpe em MS

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Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, foi presa fingindo ser criança de 12 — Foto: Reprodução

A mulher presa em Joinville (SC) nesta semana, após viver por 14 meses fingindo ser uma adolescente de 12 anos e ser acolhida e adotada por uma família, já havia passado por Mato Grosso do Sul em 2023 aplicando o mesmo tipo de fraude.

Amanda Maria Souza Oliveira, de 37 anos (em registros anteriores chegou a ser apontada como tendo 42 anos), tem histórico de golpes em pelo menos sete estados brasileiros e se tornou conhecida por um modus operandi elaborado.

Segundo a investigação do caso, ela tinha o comportamento infantilizado, uso de objetos de criança e também a criação de histórias tristes para sensibilizar vítimas e até mesmo autoridades.

Passagem por Campo Grande sem punição

Em outubro de 2023, Amanda chegou à capital sul-mato-grossense alegando ter 13 anos, nascida em Feira de Santana (BA), e usando o nome falso de Gabrielly dos Santos.

Disse ser andarilha, ter problemas mentais e ter recebido ajuda de um casal desconhecido ao chegar à cidade. Encaminhada primeiro à Casa da Mulher Brasileira, foi levada a uma unidade de acolhimento institucional após alegar ser menor de idade.

Mas funcionários do abrigo desconfiaram da aparência e do comportamento. Ao pesquisarem casos semelhantes na internet, encontraram notícias sobre uma mulher que aplicava golpes idênticos em outros estados e perceberam que se tratava da mesma pessoa.

Diante disso, foi levada à Depac Cepol, onde o caso foi registrado como falsa identidade. Na época, o delegado responsável, Daniel Luz da Silva, informou que não havia registro de estelionato na cidade, mas que ela seria autuada por usar dados falsos.

O boletim, porém, acabou arquivado e não há registros de processo ou condenação contra ela no estado — o que permitiu que seguisse viajando e enganando pessoas em outras regiões.

Como funcionava o golpe

Em todos os locais onde atuou — Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul, Ceará e Santa Catarina — o método foi o mesmo:

  • Se aproximava de comunidades religiosas ou serviços de assistência social com histórias de maus-tratos, fuga de casa ou abandono;
  • Alegava ter entre 12 e 13 anos;
  • Para justificar traços físicos de adulta, inventava doenças como autismo, ou dizia que o aspecto era consequência de uso forçado de hormônios ou abusos sofridos na infância;
  • Mantinha postura infantil, usava mamadeira, chupeta, brinquedos e objetos de criança para reforçar a mentira;
  • Conquistava confiança até ser acolhida por famílias ou instituições.

Em Joinville, onde se apresentou como “Gabriele”, chegou a ganhar festa de 12 anos, receber cuidados médicos, inclusive uso de medicamentos estéticos, e viver em uma residência de alto padrão, sustentada pelos pais adotivos, durante mais de um ano.

A farsa só foi descoberta quando uma parente da família, que não convivia diariamente com ela, desconfiou e encontrou notícias antigas sobre os golpes dela na internet.

Outros episódios marcantes

  • Nova Iguaçu (RJ, 2023): Ao ser atendida na rede de saúde, exames de imagem revelaram mais de 200 agulhas espalhadas pelo corpo, sem explicação lógica; ela contou versos fantasiosas sobre o ocorrido.
  • Goiás: Exames periciais confirmaram sua idade real, mas mesmo assim ela foi liberada rapidamente e continuou aplicando golpes. Na ocasião, um mandado de prisão chegou a ser emitido, um dia antes de sua captura em Santa Catarina.

Situação atual

Amanda foi presa em flagrante e teve a prisão preventiva decretada pela Justiça catarinense. Ela responderá por falsa identidade e estelionato. A defesa, representada por advogado nomeado pela Justiça, já solicitou exame de sanidade mental, alegando indícios de questões psíquicas que podem influenciar nos fatos.

A polícia investiga ainda se ela agia sozinha ou se havia ajuda de terceiros para sustentar as mentiras e se deslocar pelo país. Mesmo com anos de fraudes e registros em várias unidades da federação, a falta de comunicação entre sistemas judiciais e o arquivamento de casos como o de Campo Grande permitiram que ela permanecesse em liberdade por muito tempo, acumulando vítimas emocionais e materiais.