Quando era adolescente, Johnny M. Larroque chegou a sentir um pouco de vergonha da profissão do pai. Encanador, ele saía para trabalhar com o carro carregado de canos e ferramentas e, algumas vezes, levava o filho junto. Enquanto os amigos brincavam na rua, Johnny acompanhava aquela rotina sem imaginar que, anos depois, esse leve incômodo ajudaria a dar origem a um livro infantil.
Tenho Vergonha da Profissão do Papai transforma uma memória pessoal, somada a anos de observação no convívio com crianças, em uma história sobre comparação, medo do julgamento e valorização do trabalho.
Johnny foi criado pela mãe de criação e pela tia, ambas servidoras públicas municipais, ao lado da prima e do pai de criação, um encanador apaixonado pelo que fazia. A família estava entre as mais humildes da rua e, durante a adolescência, ele passou a perceber com mais atenção as diferenças entre a própria realidade e a dos colegas.
Com o tempo, porém, o olhar mudou. Aquilo que ele imaginava que pudesse ser motivo de julgamento sequer era visto da mesma maneira pelas outras crianças. Os amigos ajudavam a empurrar o carro do pai quando ele quebrava, achavam graça da situação e até pediam para passear nele.
“Quando a gente é adolescente, acaba dando um peso enorme para aquilo que imagina que os outros vão pensar. Depois eu fui entendendo que a profissão do meu pai nunca diminuiu quem ele era. Pelo contrário, era o trabalho dele que sustentava nossa casa e ajudava outras pessoas”, conta Johnny.
A ideia do livro também foi amadurecendo a partir da experiência do escritor com crianças em diferentes contextos. Johnny trabalhou como voluntário em um orfanato, atuou em um colégio particular e também em uma brinquedoteca. Nessas vivências, percebeu situações em que crianças demonstravam constrangimento com a profissão dos pais ou evitavam contar aos colegas com o que eles trabalhavam.
Foi dessa combinação entre experiência pessoal e observação que nasceu Caps, uma capivara descolada que se vê diante de um problema: o “Dia da Profissão do Papai”. A atividade, inspirada em situações comuns em séries e filmes americanos, faz o personagem temer a exposição diante dos colegas e imaginar que poderá ser considerado inferior por causa do trabalho do pai.
A partir daí, a história propõe uma pergunta simples, mas que vai além do universo infantil: por que algumas profissões são associadas ao sucesso e outras acabam sendo vistas como menos importantes?
Com ilustrações de Heitor Cameschi, o livro aborda o tema de maneira leve e aproxima a discussão de uma realidade ainda mais presente entre crianças e adolescentes em tempos de redes sociais. Em meio a imagens de vidas aparentemente perfeitas, fama, consumo e carreiras de prestígio podem acabar se tornando referências distorcidas de sucesso.
“Quero mostrar que o valor de uma profissão não pode ser medido apenas pelo dinheiro ou pelo status. Todo trabalho honesto tem uma função e atende a uma necessidade. O médico, o professor, o policial, o pedreiro e o encanador têm papéis diferentes, mas todos são importantes para a sociedade”, afirma o escritor.
Para Johnny, a história também pode servir como ponto de partida para conversas entre pais e filhos sobre respeito, trabalho e as diferentes formas de construir uma vida.
Tenho Vergonha da Profissão do Papai será lançado no dia 11 de setembro de 2026, às 14h, no Colégio Cecamp, localizado na Avenida Fernando Corrêa da Costa, 569, em Campo Grande.
O e-book estará disponível para venda na Amazon, após o lançamento.





















