Ônibus irão rodar normalmente na quinta-feira, mas se não houver acordo nova greve vai ocorrer

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Terminal Morenão completamente vazio (Foto: Redes Sociais)

O serviço de transporte público de Campo Grande vai funcionar normalmente na quinta-feira (19), segundo informou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande, Demétrio Ferreira de Freitas. No entanto, hoje (18), nenhum dos veículos das empresas de viação que integram o Consórcio Guaicurus irá rodar, pelo menos até que não se tenha uma nova decisão.

Os terminais amanheceram vazios, apesar da ampla divulgação midiática informando sobre a paralisação, dependentes do sistema de transporte público apareceram nos pontos e foram surpreendidos com a notícia de que não terá ônibus. Foi necessário usar o único meio de transporte alternativo disponível em Campo Grande, no caso, os serviços de carona paga de aplicativos e táxis/mototaxista, que podem tornar a viagem mais cara ante o preço atual da tarifa de ônibus de R$ 4,40.

A falta de ônibus também prejudicou o comércio da região central, já que muitas pessoas deixaram seus compromissos de lado por conta da falta do ônibus. A movimentação durante essa manhã no entorno da Praça Ary Coelho, onde há três estações de embarque e desembarque do transporte público, estava bem baixa com relação ao fluxo normal. Vendedores ambulantes que trabalham dentro dos terminais precisaram procurar por outros locais para poder faturar a grana do dia.

“Vou percorrer com a bicicleta pela Avenida Ceará e na Mato Grosso, já que ficar em frente ao terminal não vai dar em nada”, relatou o vendedor ambulante João Batista, conhecido por vender salgados e café diariamente na porta de entrada do Terminal General Osório, no bairro Coronel Antonino.

A paralisação do motoristas acontece devido a falta de acordo com o Consórcio Guaicurus quanto ao reajuste salarial dos trabalhadores. A categoria pede aumento de 16%, além da manutenção dos benefícios sociais, como o plano de saúde, ticket alimentação e a participação nos lucros – os motoristas têm direito a um percentual das passagens pagas nos ônibus que dirigem e é exatamente por este fator que a classe também defende o aumento do valor da tarifa.

Conforme explicou o presidente do sindicato, caso não haja nenhum novo acordo ao longo desta quarta-feira, haverá uma nova assembleia da categoria na sexta (20), onde deverá ser decidido pela realização de uma paralisação com tempo de duração maior. Ele garantiu que o serviço volta ao normal na quinta e na sexta-feira.

O Consórcio Guaicurus, por sua vez, já tentou barrar a paralisação usando os mecânismos judiciais. Em um pedido ingressado no Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região (TRT/MS), as empresas alegaram que a paralisação resultaria “não somente na privação da sociedade campo-grandense do essencial serviço de transporte público, mas também no injustificável e inaceitável fechamento das garagens das empresas que operam o serviço, impedindo que os ônibus alocados em cada uma delas sejam utilizados pelos empregados não aderentes ao movimento”. O pedido foi negado na terça-feira (17) e novamente na manhã de hoje.

Sobre o aumento salarial dos motoristas, o Consórcio Guaicurus pede que o passe de ônibus seja reajustado para absurdos R$ 8,00 para poder atender ao pedido. Esse novo valor deverá ser definido no próximo dia 24, quando acontece a reunião do Conselho de Regulação, que é formado por membros da sociedade civil e órgãos da administração pública.

Em nota, a Prefeitura de Campo Grande disse que o reajuste está sendo “cautelosamente estudado”. “O poder executivo tem feito todo o possível para continuar subsidiando as gratuidades para estudantes, idosos, pessoas com necessidades especiais e seus acompanhantes”, citou.

Sobre a greve dos motoristas, o Município disse que entende as reivindicações como legítimas, “no entanto o reajuste de salários é uma questão a ser negociada pelo consórcio de transporte público, não estando este na alçada do município”, destacou no comunicado.