Operação apreende mais de 2,2 mil emagrecedores irregulares e 129 vapes em transportadora na Capital

19
Foto: Divulgação SES

Diversos carregamentos que, juntos, somaram 2.225 ampolas e canetas emagrecedoras e 129 dispositivos eletrônicos para fumar — conhecidos como cigarros eletrônicos ou vapes — foram apreendidos na quinta-feira (25) em uma transportadora localizada no bairro Chácara Cachoeira, em Campo Grande. O valor estimado dos produtos chega a R$ 1 milhão.

Conforme o registro, divulgado à imprensa somente hoje (26), equipes da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) e da Coordenadoria de Vigilância Sanitária Estadual (CVISA) foram acionadas após a identificação de embalagens com características suspeitas de contrabando.

Os itens estavam distribuídos em diversos volumes individuais, sendo o volume considerado expressivo: corresponde à quantidade normalmente apreendida em cerca de um mês de fiscalizações em remessas postais.

Foram apreendidos medicamentos injetáveis e canetas que supostamente contêm substâncias como tirzepatida e retatrutida, além de ácido hialurônico, peptídeos, toxina botulínica e suplementos alimentares comercializados sem autorização sanitária.

Já os dispositivos eletrônicos para fumar incluem modelos descartáveis e essências líquidas. A fabricação, importação, comercialização, distribuição, armazenamento, transporte e propaganda desses itens permanecem proibidos em todo o território nacional.

Com essa apreensão, já são mais de 500 unidades fumígenas irregulares retiradas de circulação no âmbito da Operação Visa Protege.

Empresa responderá por infração

Operação apreende mais de 2,2 mil emagrecedores irregulares e 129 vapes em transportadora na Capital
Foto: Divulgação SES

A transportadora responsável pelo transporte das mercadorias será autuada administrativamente pela CVISA. Com base no artigo 329 do Código Sanitário Estadual, a responsabilidade recai sobre quem deu causa ou concorreu para a infração.

Segundo a fiscalização, a empresa não possuía mecanismos internos eficazes para identificar e barrar o transporte de produtos ilegais. “O alerta não partiu de um controle interno da transportadora, mas sim da atuação da Sefaz”, disse Matheus Pirolo, fiscal de Vigilância Sanitária e responsável pela área jurídica da CVISA.

“Isso demonstra a necessidade urgente de aprimorar os sistemas de triagem e segurança para impedir a circulação de mercadorias irregulares”, completou.

Pirolo destacou que as irregularidades não se limitam apenas à ausência de registro na Anvisa. “Muitos desses produtos sequer têm autorização sanitária em seus países de origem. O mercado paralelo apresenta altos índices de adulteração e falsificação, colocando em risco a vida de quem os usa”, alerta.

Ele acrescenta que, mesmo que fossem produtos regularizados, a forma de transporte e comercialização já configuraria infração: “Medicamentos dessa natureza só podem ser armazenados e transportados sob condições específicas, e dispensados exclusivamente por farmácias autorizadas, com acompanhamento de farmacêutico e mediante prescrição médica, quando necessário”.

Além de violar normas sanitárias, a circulação desses itens pode contrariar legislações criminais, tributárias, consumeristas e de propriedade intelectual.

Por se tratar de produtos em situação de ilegalidade flagrante, todos serão submetidos à inutilização sumária e imediata, conforme prevê o Código Sanitário Estadual.

Alerta médico: risco à saúde é real

A representante da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia em Mato Grosso do Sul, Bianca Paraguassu, reforça os perigos do uso de medicamentos adquiridos fora dos canais legais.

“Sem controle de qualidade, não há garantia sobre a composição, a pureza ou a conservação adequada. Muitos produtos contêm substâncias diferentes das informadas ou em dosagens incorretas”, explica.

Segundo a especialista, mesmo as versões originais exigem acompanhamento contínuo: “O uso sem orientação pode causar náuseas graves, desidratação, pancreatite, lesões renais e até perda de massa óssea e muscular. O tratamento da obesidade é individualizado e a medicação deve ser apenas uma parte do cuidado integral”.

A ação desta quinta-feira dá continuidade ao trabalho de fiscalização: na semana passada, a CVISA já havia realizado a incineração de mais de 20 mil unidades de emagrecedores e outros medicamentos irregulares na cidade de Dourados.

Como denunciar

População e profissionais podem registrar denúncias sobre comercialização irregular de medicamentos, vapes e outros produtos sujeitos à vigilância sanitária por meio da Ouvidoria Nacional do SUS, pelo telefone 136.