Sob o som e a sombra de um helicóptero sobrevoando Paranaíba na manhã desta quinta-feira (3), a Polícia Civil desencadeou uma operação que chega como resposta direta a um clima de medo e violência que se instalou na cidade.
Agentes das delegacias especializadas miram integrantes e pessoas ligadas ao Comando Vermelho (CV), em uma ação que acontece apenas 48 horas depois de um adolescente de 17 anos ser morto a tiros dentro de casa — alvo de uma suposta “lista de condenados à morte” divulgada nas redes sociais.
A ação reúne equipes da Denar (Repressão ao Narcotráfico) e da Derf (Repressão a Roubos e Furtos), que cumprem mandados de prisão e de busca e apreensão em pontos espalhados pelo município.
Entre os alvos da investida estão um jovem de 19 anos e um adolescente de 14 anos. Até o momento, as autoridades não informaram quantos mandados foram expedidos ou quantos já foram cumpridos.
O estopim: uma morte anunciada e celebrada
O que torna a operação ainda mais urgente e reveladora é o contexto imediato que a antecede. Dois dias antes, um jovem de 17 anos foi executado com um tiro na cabeça dentro de sua própria residência — ele aparecia em uma lista circulada na internet como alguém cuja morte teria sido “decretada” pela facção.
E o crime não foi escondido: segundo apuração, um dos suspeitos teria chegado a comemorar publicamente o homicídio com a frase: “Consegui”, expondo com crueldade a frieza e a ousadia com que o grupo agia na região.
Força-tarefa chega por terra e ar
Diante de um cenário em que ameaças são publicadas abertamente e execuções acontecem em domicílios, a Polícia Civil elevou o padrão da resposta. O uso de aeronave demonstra o nível de alerta e a dimensão da operação: a facção vinha agindo com tal desenvoltura que as autoridades optaram por uma abordagem com apoio aéreo, para cobrir território amplo e impedir fuga imediata dos alvos.
Chama atenção, ainda, o perfil dos investigados: entre os nomes procurados estão um jovem de 19 anos e um adolescente de apenas 14 anos — sinal de que a violência e a estrutura criminosa vêm se alimentando de gerações cada vez mais jovens, trazendo para dentro do grupo pessoas em fase de formação, enquanto ameaças e execuções se tornam rotina anunciada em perfis de redes sociais.





















