Operação Lívia, da PCMS, tem nova fase com mandados cumpridos em vários estados contra adolescentes

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Discord — Foto: Discord é uma plataforma de mensagens popular entre os jovens e jogadores de videogame — Foto: Ivan Radic/Flickr

Deflagrada logo nas primeiras horas da manhã dessa terça-feira (15), a Operação Lívia apura uma rede virtual que coagia e estimulava crianças e adolescentes a praticarem crimes contra animais.

Foram cumpridos seis mandados para internação provisória e seis de busca e apreensão contra adolescentes de 14a 17 anos, residentes nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.

A investida é organizada e comandad pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, com apoio do Ciberlab (Laboratório de Operações Cibernéticas), do Ministério da Justiça.

O grupo utilizava plataformas digitais para coagir crianças e adolescentes, além de envolvê-los em práticas de crueldade contra animais. A polícia apura como os integrantes abordavam as vítimas, estabeleciam contato e exerciam pressão sobre elas.

Este é mais um trabalho que começou a partir da morte de uma adolescente de 13 anos, em Naviraí, em julho deste ano. Ela participava de uma transmissão ao vivo no aplicativo Discord, quando recusou cumprir uma missão e acabou se suicidando ao vivo.

A primeira operação contra a organização foi realizada em agosto, quando um homem adulto foi preso e cinco adolescentes apreendidos. Um desses meninos, de 14 anos, foi apontado como líder. Ele reside no Rio de Janeiro.

Com os compuradores e celulares apreendidos, houve o avanço da investigação, com a identificação de novos integrantes da organização. Desde 12 de agosto, as lives do Discord estão suspensas no Brasil por determinação da ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados).

Operação Lívia, da PCMS, tem nova fase com mandados cumpridos em vários estados contra adolescentes
Crime virtual (Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

A nova fase busca aprofundar a apuração sobre o funcionamento da rede e o papel desempenhado por cada integrante. Entre as práticas investigadas estão extremismo, misoginia, crueldade contra animais, coerção psicológica, automutilação e indução ao suicídio.

A investigação também apura a chamada “escravidão digital”, termo utilizado para descrever mecanismos de controle e submissão praticados dentro dessas comunidades.

O caso

A apuração teve início após suicídio transmitido ao vivo de uma adolescente (Lívia) de 13 anos, no último dia 22 de julho. A live na internet ocorreu em um grupo virtual da rede social Discord, por cerca de 45 minutos.

Antes de ser induzida a tirar a própria vida na casa onde morava com a família em Naviraí, a 365 km de Campo Grande, a adolescente foi coagida no ambiente virtual pelos criminosos a torturar e matar um gato, sem êxito. 

Os integrantes do grupo abriram uma chave PIX em nome da vítima, sem o conhecimento da mãe, como relatado pelo delegado de Polícia Civil do Piauí, Alessandro Barreto. “Mandavam dinheiro para ela comprar gillette, para se automutilar e tudo.”

Os criminosos procuravam principalmente crianças e adolescentes com perfis públicos nas redes sociais. Usando informações disponíveis na internet, criavam perfis falsos, conquistavam a confiança das vítimas e as levavam para outras plataformas, como Discord e Telegram.

A prática foi chamada pela Polícia Civil de “escravização virtual”. Depois da aproximação, os criminosos conseguiam informações pessoais e passavam a ameaçar as vítimas para obrigá-las a cumprir ordens e desafios violentos.