Operário reelege Nelson Antônio e inicia novo ciclo após criação da SAF

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(Foto: Divulgação/Operário FC)

Presidente comandará a Associação por mais quatro anos e projeta avanço do Galo para divisões superiores do Campeonato Brasileiro

Aos 88 anos, o Operário Futebol Clube entra em uma nova fase administrativa com a permanência de Nelson Antônio da Silva na presidência da Associação. Ele foi reeleito para um mandato de quatro anos, até 2030, em eleição realizada durante as comemorações do aniversário do Galo, em Campo Grande.

A recondução ocorreu por aclamação, com chapa única, e marca a primeira eleição da Associação desde a transformação do departamento de futebol em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A partir da nova estrutura, a Associação mantém a gestão institucional, histórica e patrimonial do clube, enquanto a SAF administra o futebol profissional e as categorias de base.

Para o novo mandato, Nelson Antônio projeta um período de crescimento do Operário e estabeleceu como uma das principais metas a evolução do clube nas competições nacionais. A intenção é criar condições para que o Galo avance, nos próximos anos, para divisões superiores do Campeonato Brasileiro.

“Não era minha intenção disputar a reeleição, mas decidi permanecer para concluir a implantação da SAF do Operário FC e, juntamente com o coronel Edilson Duarte e os conselheiros, preparar a Associação para os novos desafios e metas do clube”, afirmou Nelson Antônio durante o processo eleitoral.

Operário reelege Nelson Antônio e inicia novo ciclo após criação da SAF

A nova diretoria terá José Antônio Avesani Junior como vice-presidente geral. Também integram a composição Rafael Antonio Scaini, como vice-presidente administrativo; Elton Hoston Belizario, vice-presidente de finanças; Wagner Luis dos Santos, vice-presidente de futebol; Elizeu Pacheco, vice-presidente dos esportes olímpicos; Alipio Marcus Laca de Oliveira, vice-presidente de interesses legais; Nyelder de Souza Rodrigues, vice-presidente de marketing, publicidade e relações externas; Jonas de Paula, vice-presidente social, cultural e cívico; Paulo Antonio Afonso Bento Monteiro, secretário; e José Messias Alves, tesoureiro.

A eleição ocorre em um momento de mudança na estrutura do clube. A SAF foi aprovada pelo Operário no fim de 2025 e passou a administrar o futebol profissional e as categorias de base. A IM Global Sports, formada pelos empresários Ivando Maluf, Marcelo Maluf e Eduardo Maluf, ficou com 90% da empresa, enquanto a Associação manteve 10% de participação.

Com a divisão, a Associação continua responsável pela preservação da identidade, da história e do patrimônio do Operário, enquanto a SAF concentra as decisões relacionadas ao futebol.

Primeiro ano da SAF

A temporada de 2026 é a primeira do Operário sob o novo modelo de gestão. Para dar suporte às atividades do futebol, o clube firmou parceria com a Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), que passou a disponibilizar estrutura para treinamentos e preparação física dos atletas.

Um dos próximos objetivos é ampliar a estrutura própria e avançar na construção de um Centro de Treinamento. O clube também acompanha a possibilidade de reabertura do Estádio Pedro Pedrossian, o Morenão, que poderá voltar a receber partidas e aumentar a capacidade de público nos jogos do Galo em Campo Grande.

O calendário de 2027 também deve representar um teste importante para o projeto. O Operário tem previsão de disputar o Campeonato Sul-Mato-Grossense, a Copa do Brasil, a Copa Centro-Oeste e o Campeonato Brasileiro Série D.

A vaga na Copa do Brasil foi garantida com a conquista do Campeonato Sul-Mato-Grossense de 2026. O título foi o 15º do clube na competição e também confirmou o tricampeonato estadual consecutivo, após as conquistas de 2024 e 2025.

História de protagonismo

Fundado em 21 de agosto de 1938 por trabalhadores da construção civil de Campo Grande, o Operário construiu uma das trajetórias mais importantes do futebol de Mato Grosso do Sul. O clube tem 15 títulos estaduais desde a criação do Estado e outros quatro conquistados no Campeonato Mato-Grossense, antes da divisão territorial.

O período de maior projeção nacional ocorreu entre as décadas de 1970 e 1980. Em 1977, o Galo chegou à semifinal do Campeonato Brasileiro e terminou a competição na terceira colocação. A equipe era comandada pelo ex-goleiro da Seleção Brasileira Carlos Castilho e tinha Manga como um dos principais jogadores.

Naquela campanha, o Operário eliminou equipes tradicionais do futebol brasileiro antes de ser derrotado pelo São Paulo na semifinal. No jogo de volta, disputado no Morenão, o time campo-grandense venceu por 1 a 0 diante de mais de 20 mil torcedores.

Cinco anos depois, o clube alcançou uma conquista internacional. Em 1982, representou o Brasil na President’s Cup, na Coreia do Sul, e terminou como campeão após derrotar o Bayer Leverkusen, da Alemanha, na decisão.

Em 1987, veio outro título nacional, com a conquista do Módulo Branco do Campeonato Brasileiro.

Novo ciclo

A reeleição de Nelson Antônio ocorre, portanto, em um momento em que o Operário tenta conciliar a tradição construída ao longo de 88 anos com um modelo empresarial de gestão do futebol.

Enquanto a Associação preserva a estrutura institucional do Galo, a SAF terá o desafio de transformar investimentos e planejamento em resultados dentro de campo. A expectativa é que o projeto permita ao clube ampliar a estrutura, fortalecer as categorias de base e buscar campanhas mais expressivas nas competições nacionais.

Com o tricampeonato estadual conquistado em 2026 e um calendário mais amplo previsto para a próxima temporada, o Operário inicia o novo mandato com a missão de transformar a tradição do clube em uma trajetória de crescimento no futebol brasileiro.