Outubro Rosa: Projetos auxiliam na prevenção e tratamento ao câncer em MS

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Rede Feminina de Combate ao câncer (Divulgação/Hospital do Câncer)

Câncer de mama é a principal doença que levou mulheres ao óbito no Brasil

Dados do Instituto Nacional de Câncer de Mama (INCA), estimam que no Brasil, somente em 2020, cerca de oito mil casos de câncer de mama tiveram relação direta com fatores comportamentais como consumo de bebidas alcoólicas, excesso de peso e inatividade física. O quantitativo corresponde a 13,1% dos 64 mil casos novos de câncer de mama em mulheres com 30 anos ou mais, em todo o país. O Brasil registrou em 2019, 18.068 mortes por câncer de mama, considerado o principal tipo da doença que ocasiona o óbito de mulheres .

Projeções do INCA indicam que até 2030 haverá uma estabilidade das taxas de mortalidade entre 30 e 69 anos, contudo a redução ainda é menor do que os 30% estimados pela Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo o Ministério da Saúde, a mamografia é recomendada entre 50 e 69 anos, com intervalos máximos de 2 anos, com objetivo de detecção precoce do câncer de mama.

Com intuito de ampliar os debates acerca do tema, o mês de Outubro é nacionalmente conhecido pela campanha Outubro Rosa que promove a conscientização e alerta mulheres e toda a sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama e de colo do útero. As ações de prevenção ao câncer de mama são realizadas desde 2002 no Brasil, mas foram instituídas por lei federal em 2018. E, desde 2011, diversos estados desenvolvem campanhas sobre o câncer de colo do útero.

Oncologista do Hospital de Câncer Alfredo Abrão, Manoel Henrique Dutra explica que o câncer de mama é uma doença provocada por uma proliferação celular atípica. “As causas atualmente mais conhecidas, que são mais explicadas e mais estudadas, é a proliferação celular em decorrência de fatores genéticos e proliferação celular decorrente de hábitos de vida não saudáveis, como a prática inadequada de atividade física, ingestão rica em gordura e ingestão pobre em frutas, verduras, legumes, vegetais em geral”.

Quero uma peruca, lenço ou touca

Visando apoiar mulheres acometidas pela doença, a Rede Feminina de Combate ao Câncer, projeto social que atua no Hospital Alfredo Abrão, atende pacientes que estão em tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Por meio de doações de cabelos a entidade confecciona perucas que são doadas gratuitamente a mulheres vítimas de câncer os que possuem alopecia (doença que causa calvície), o projeto também disponibiliza sutiãs com próteses a pacientes que passaram por tratamento oncológico cirúrgico com mastectomia total ou parcial, ou seja que precisaram retirar as mamas. Para receber a doação é necessário comparecer pessoalmente até a sede da RFCC-CG/MS, com documentos pessoais, após 60 dias da realização da cirurgia, escolher e retirar seu sutiã.

O local também promove venda de produtos como camisetas, guarda-chuvas, copos e chaveiros, e o dinheiro arrecadado é destinado a aquisição de sutiãs especiais com prótese para pacientes que fizeram a mastectomia.

Ampliando a Política Nacional de Saúde Integral a população LBGT, a Subsecretaria Estadual de Políticas Públicas LGBT órgão vinculado ao Governo de Mato Grosso do Sul, promove ações de prevenção ao câncer destinadas a mulheres lésbicas, bissexuais, homens e mulheres trans.

Psicóloga e Coordenadora do Centro de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate à Homofobia (CENTRHO), Rebeca de Lima Pompilio destaca a importância de iniciativas voltadas a esta população. “Pessoas gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros apresentam uma vulnerabilidade quanto ao atendimento de seus direitos humanos, incluindo o acesso aos serviços públicos de saúde. E como estamos em pleno Outubro Rosa, iniciamos as tratativas para que essas pessoas possam ter um atendimento qualificado na realização de exames preventivos e de mamografia”, explicou.

Responsável pela divulgação na parte de educação e saúde do Hospital de Amor, a enfermeira Glauciely do Nascimento Pereira, ressalta que a falta de informação é fator determinante para detecção do câncer de mama ou de colo de útero. “Nós queremos fazer a inclusão dessas pessoas, pois percebemos que não há tanta procura por parte das pessoas LBT, e nosso objetivo é diminuir os indicadores com a prevenção, fazendo com que se sintam confortáveis e venham buscar o atendimento. Percebemos que há também resistência e talvez até um bloqueio pelo medo da falta do atendimento adequado, mas nós estamos preparados para atender qualquer pessoa dentro das suas especificidades. E eu sempre costumo falar o motivo da mudança do nome do hospital, que anteriormente se chamava Hospital de Câncer de Barretos e hoje é Hospital de Amor, por conta desse propósito de estar trabalhando com amor e humanização”, disse.

Durante live para divulgação do boletim epidemiológico, o Secretário Estadual de Saúde, Geraldo Resende, enfatizou a importância do diagnóstico precoce. “Nós queremos abordar a questão do outubro rosa e convoco os senhores secretários de saúde todos os municípios, as secretarias, a todos os prefeitos e prefeitas a fazerem de fato manifestações, reflexões acerca da importância das informações chegarem a todas as mulheres do Mato Grosso do Sul no tocante ao câncer de mama e no tocante ao câncer de colo que são temáticas contempladas no Outubro Rosa, no exame de rotina, o autoexame, além da mamografia a partir dos 40 anos, alguma alteração na mamografia, procure especialista para que eles possam indicar melhor conduta para evitar que o câncer se propague e é importante que quanto mais precoce diagnóstico, maior probabilidade de cura e de sobrevida tem as pessoas”.

Serviço:
Mais informações sobre o trabalho desenvolvido pelo Centrho, assim como o agendamento de exames podem ser feitos pelo telefone: (67) 3316-9183 ou no e-mail: [email protected]. A Rede Feminina de Combate ao Câncer está localizada na R. Mal. Rondon, 1053 (dentro do Hospital de Câncer de CG/MS Alfredo Abrão), no bairro Amambai em Campo Grande.