Taxa de chikungunya passa de 50% em testes e casos seguem altos em Dourados

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Epidemia já soma nove mortes confirmadas e mais de 7,5 mil notificações (Foto: Divulgação/Edjalma Borges/Ministério da Saúde)

Cidade confirma 111 novos casos em 24h e já soma quase 3 mil diagnósticos da doença

A cada dez pessoas com suspeita de chikungunya que fizeram exame em Dourados, quase seis tiveram confirmação da doença. O avanço da epidemia no município elevou a taxa de positividade para 56,9%, segundo dados divulgados no mais recente boletim epidemiológico da cidade.

Somente nas últimas 24 horas, Dourados registrou 111 novos casos confirmados de chikungunya. Com isso, o total de diagnósticos positivos chegou a 2.892 desde o início da epidemia. Ao todo, 5.079 exames foram realizados, enquanto outros 2.187 casos acabaram descartados.

O município ainda monitora 2.440 notificações que seguem em investigação. Desde o início do surto, já foram contabilizadas 7.519 notificações da doença.

Apesar de uma redução recente nos registros, a situação ainda preocupa as autoridades de saúde. Na 17ª semana epidemiológica, foram contabilizados 606 casos, número inferior aos 850 registrados na semana anterior. Mesmo assim, os índices permanecem acima do considerado adequado para controle epidemiológico.

A Secretaria Municipal de Saúde destacou que a última queda semelhante ocorreu na 13ª semana epidemiológica, período que também coincidiu com feriado, fator que pode ter influenciado a redução temporária dos registros.

A pressão sobre a rede pública de saúde continua elevada. Atualmente, 32 pessoas seguem internadas por complicações causadas pela chikungunya. O município informou ainda que já há sinais de sobrecarga nas unidades de Atenção Primária à Saúde da área urbana, além de aumento da demanda nos serviços de urgência e emergência e maior ocupação de leitos hospitalares.

Até agora, Dourados confirmou nove mortes causadas pela doença. Segundo o boletim, oito das vítimas eram indígenas e uma não indígena.

Além disso, outras três mortes seguem sob investigação. Os casos suspeitos envolvem um adolescente de 12 anos, um idoso de 84 anos e um homem de 50 anos.

Como medida para enfrentar o avanço da epidemia, as unidades básicas de saúde da cidade seguem funcionando em horário comercial. Já os postos dos bairros Ildefonso Pedroso, Maracanã, Jóquei Clube e Parque do Lago II atendem das 7h às 19h.

As unidades da Seleta e do Santo André mantêm plantão até as 22h, inclusive aos fins de semana e feriados, numa tentativa de reduzir a pressão sobre as UPAs e hospitais.

Dourados também iniciou a vacinação contra chikungunya. O imunizante, desenvolvido pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Valneva, é aplicado em dose única e está disponível para pessoas entre 18 e 59 anos.

Há restrições para gestantes, lactantes, pessoas imunossuprimidas, pacientes em tratamento oncológico, transplantados recentes, pessoas com doenças autoimunes e indivíduos com obesidade grave.

Transmitida pelo mosquito Aedes aegypti infectado pelo vírus CHIKV, a chikungunya provoca sintomas como febre alta e fortes dores nas articulações. Em casos mais graves, a doença pode causar complicações neurológicas, cardiovasculares, renais e até levar à morte.

A orientação das autoridades de saúde é para que pessoas com sintomas procurem atendimento médico o quanto antes. Os exames e testes diagnósticos estão disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).