08/11/2014 08h00
Para suprir lacuna, turismo étnico é lançado em Dourados
Dourados News
Visando suprir a falta de opções naturais em Dourados, uma agência de turismo local inaugurou nesta sexta-feira (7) um passeio étnico. A intenção é fazer com que os visitantes entendam um pouco da história e de personagens do município e também possam conhecer a cultura indígena de uma das maiores comunidades do país.
O roteiro inaugurado contou com aproximadamente 20 pessoas, a maioria estudantes de outros Estados que participaram do CBIE (Congresso Brasileiro de Informática na Educação), realizado entre os dias 3 e 6 de novembro na UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados).
Segundo Aparecido Lázaro Justiniano, da Passeio Turismo, a crescente do turismo voltado para negócios no município tem feito com que as pessoas procurem ocupar o tempo vago conhecendo a região e a ideia de se fazer o trajeto surgiu no ano passado, porém, esbarrou na burocracia junto aos órgãos oficiais, como a Funai (Fundação Nacional do Índio).
Percebendo a intenção e sabendo da procura, o empresário então buscou junto a lideranças indígenas, oficializar o passeio.
“Nossa intenção é mostrar a valorização da cultura local e preencher lacunas deixadas no turismo de negócios oferecendo essa opção para quem vem de fora. A ideia é tornar essas visitas regulares e já conversamos com lideranças indígenas que entenderam a necessidade para que os costumes deles possam estar presentes e ser lembrado pelos visitantes, além de gerar renda”, contou ao Dourados News.
O passeio começa na Praça Antônio João, região central da cidade. Lá, os turistas recebem informações sobre a história de Dourados e Mato Grosso do Sul. Do local, embarcam até a Aldeia Jaguapiru, no espaço conhecido como ‘Oca do Jorge’, que funciona como Casa de Reza.
No trajeto do Centro até a Reserva, um guia indígena explica ao grupo o que encontrarão quando chegar. Já no local estipulado, os turistas são recebidos por rezadores que os saúdam com uma pintura no rosto e falas em guarani. Logo depois, são levados para dentro da casa onde assistem danças típicas, rezas e depois conhecem o artesanato trabalhado por eles [veja vídeo no final da matéria]. Os colares, chocalhos e pulseiras custam em média, R$ 10.
Dúvidas e valorização cultural chamaram a atenção
Entre os estudantes que acompanharam e fizeram parte do primeiro dia do passeio étnico, os semblantes eram de surpresa, dúvida e entusiasmo. Eles participaram de danças promovidas pelos indígenas e depois puderam tirar fotos junto com os rezadores e filmar as ações desenvolvidas por eles.
Para Germano Ribeiro, que veio de Fortaleza, capital do Ceará, o conhecimento da cultura local é de extrema importância e ajuda às pessoas a valorizar e respeitar cada região do país.
“No Ceará temos índios também, porém, as condições e o modo de viver é bem diferente. Aqui, neste caso, eles se organizaram bem e gostei do que vi”, contou.
Questionado sobre o que esperava observar na Reserva Indígena de Dourados, ele afirmou ser a diversidade entre os povos. “Não conhecia o Mato Grosso do Sul. Quando cheguei, esperava conhecer a cultura local, o modo de vida dessas pessoas e isso nos traz respeito e ajuda a ser mais tolerante para com o próximo”, disse.
Já para Rafael Machado Alves, do Rio de Janeiro, a principal preocupação foi em não ‘ferir a cultura nativa’. “Me preocupei muito com isso, para que não fosse um desrespeito. Não queria estragar ou ferir qualquer processo deles tocando ou tirando foto de objetos”, afirmou.
Em seguida, Alves disse ter ficado com dúvida sobre algumas rezas e palavras na linguagem indígena, mas que o passeio valeu a pena. “Eu queria entender um pouco o significado das rezas. Que fossem traduzidas para o português, mas valeu a pena”, finalizou.
Intenção é mostrar os valores indígenas
Um dos responsáveis pela criação do roteiro e coordenador do Ceaid (Coordenadoria Especial em Assuntos Indígenas de Dourados), Edio Felipe Valério, disse que esse passeio pode trazer de volta a valorização da cultura indígena dentro das aldeias do município.
Segundo ele, os jovens tem se afastado das crenças e partido para caminhos fora dos habituais. “Precisamos criar esses atrativos para que os jovens voltem a se interessar em produzir artesanatos, valorizar a sua cultura e não se ‘desviar’. Temos cantos, rezas, danças nas nossas aldeias e as pessoas visitam uma cidade onde existe uma reserva indígena com mais de 14 mil habitantes e não sabem”, afirmou. Além da ‘Oca do Jorge’, visitada nesta sexta-feira pelo grupo, outros três pontos estão sendo mapeados dentro das comunidades para que sejam incorporados ao roteiro.
“Estamos trabalhando com a implantação de visitas na Casa de Reza do cacique Getúlio (Caiuá), no grupo de tradição Terena e na Casa de Reza da dona Tereza (Guarani). Cada um desses locais possuem características diferentes, tanto na linguagem, como no canto, na reza, pintura e ritual”, comentou.
Outra situação destacada por Edio é a falta de matéria-prima dentro da Reserva Indígena de Dourados. Segundo ele, com o desmatamento para a criação de lotes para produção agrícola, algumas espécies ficaram raras dentro da área, por isso, um grupo de lideranças tem feito o trabalho de incentivar o plantio dessas árvores.
“Falta matéria-prima para a confecção de artesanato, então, estamos realizando um trabalho com lideranças de plantio de algumas mudas, que no futuro nos dará mais condições de produzir”, contou o coordenador.




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