17/01/2020 10h30
Por: Redação

O Grupo casa estreou segue com seu novo espetáculo “Tragédias BR” até domingo (19). Com um texto baseado em três grandes obras modernas da literatura dramática brasileira, o palco foi tomado por atores vestidos “à la black tie”, interpretando personagens carregados das vivências cotidianas. Conflitos familiares, românticos, políticos e religiosos fundamentam o enredo, que tem um fundo trágico, informativo e até sarcástico.

As obras “Eles Não Usam Black Tie” de Guaniere (1958), “O Beijo no Asfalto”, de Nelson Rodrigues (1960) e “O Pagador de Promessas”, de Dias Gomes (1960) baseiam “Tragédias BR”, e trazem um clima muito brasileiro e atual à montagem.

O cenário, os figurinos e a trilha sonora, pensados com muito cuidado, complementam a ‘realidade’ da peça. Com uma luz dramática e um palco que trabalha a profundidade em dois planos, o público pode se concentrar na cena, e ainda apreciar interpretações ao som de músicas que embalam as histórias: um pai apaixonado pelo marido da filha, um operário que se nega a aderir a uma greve e é escorraçado pela comunidade e um homem que fez uma promessa religiosa e é impedido de cumpri-la.

As montagens do Grupo Casa estão sempre em evolução e, quem vê a estreia, pode aguardar aprimoramento até a última apresentação. Para o cenógrafo Bruno Atra, ainda há o que pode ser melhorado. “Há todo o processo de figurino, dança, um texto complexo… a estreia foi muito boa, ainda podemos complementar mais o primeiro plano do cenário”, diz.

Para o acadêmico de direito Leandro Félix, que acompanhou a estreia, a estética do ambiente e os temas da montagem são muito interessantes. “Eu já conhecia o Grupo Casa, mas é a primeira vez que venho prestigiar uma apresentação. O ambiente é acolhedor, realmente um ponto de cultura. O formato do palco é bem diferente, trabalha a profundidade e o texto também é muito legal, as referências a fake News, ao preconceito e ao discurso de ódio, infelizmente tão comuns hoje em dia, denotam à atualidade”, diz.

O estudante de jornalismo Bruno Samaniego gostou da forma de composição do enredo, chamado de “Plágio Combinação” pelo diretor da peça, Fernando Lopes Lima. “Eu acredito que a junção dos três textos funcionou muito bem, são obras importantes e que combinaram, permanecem atuais e realistas, muito semelhantes com situações que poderiam facilmente acontecer hoje em dia”, afirma.

SERVIÇO – Tragédias BR fica em cartaz nos dias 17, 18, 19. As sessões acontecem duas vezes por dia, às 19h e às 21h30, na sede do Grupo Casa, que fica na Travessa Nelson Tabelião Pereira Seba, 8. A entrada custa R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia). O teatro tem capacidade para 25 lugares. A peça tem o apoio do Fomteatro (Programa Municipal de Fomento ao Teatro), da Prefeitura Municipal de Campo Grande.

Peça que une literatura e teatro documentário já está em cartaz na Capital

Comentários