Pela segunda vez, médico de 78 anos é preso por suspeita de matar a esposa na Capital

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Mansão do médico onde o crime aconteceu (Foto: Reprodução)

O renomado cardiologista de 78 anos investigado pela morte da esposa Fabíola Marcotti, de 51 anos, foi preso na sexta-feira (14) por ordem da 2ª Vara do Tribunal do Júri, do juiz Aluízio Pereira dos Santos.

A fisioterapeuta foi encontrada morta com perfuração por projétil de arma de fogo no dia 18 de maio, na chácara onde o casal vivia no bairro Jardim Veraneio, em Campo Grande.

Conforme a atualização do caso, a nova prisão preventiva foi expedida sob tipificação da Lei do Feminicídio. Ele passa pela audiência de custódia na manhã deste sábado (15) e pode ser transferido ao Presídio Militar, onde aguardará o jugamento do processo.

🔫 O caso e a versão do marido

Conforme consta, a morte da vítima foi inicialmente comunicada como suicídio. Na época dos fatos, o médico alegou que estava em outro cômodo da casa quando ouviu o disparo de tiro na direção do quarto do casal, no piso superior da mansão.

Ele foi até o local e a encontrou já sem vida por consequência de um tiro contra a cabeça. O próprio médico constatou o óbito no local, mas acionou o SAMU e o Corpo de Bombeiros. Depois, chamou o ex-caseiro que, com ajuda de outros, alteraram a cena.

As autoridades foram acionadas somente depois e a Polícia Civil, por meio da DEAM (Delegacia Especializada no Atendimento À Mulher), identificou inconsistências na dinâmica e passou a investigar a hipótese de homicídio.

📋 Perícia que fragiliza a tese de suicídio

O laudo necroscópico revelou elementos que contradizem a versão de disparo a curta distância ou encostado:

  • Ausência de marcas de pólvora, fuligem ou queimaduras na pele e roupas
  • 🩸 Três hematomas no corpo: 8 cm no peito, na mão direita e na coxa direita
  • Causa da morte: traumatismo cranioencefálico por projétil de arma de fogo
  • O exame não definiu se foi homicídio ou suicídio nem quem atirou

⚠️ Contexto de controle e isolamento

Ao longo da investigação, a família de Fabíola relatou que ela vivia sob controle e isolamento: deixou de trabalhar, não podia sair sozinha e dependia financeiramente do marido.

Conversas passaram a ser por videochamada e eram interrompidas quando ele chegava. No fim de 2025, ela chorou e pediu ajuda para deixar o relacionamento; a família ofereceu moradia no litoral paulista para que ela recomeçasse a vida.

🔍 Outras suspeitas e antecedentes

No dia do crime, a polícia apreendeu armas e munições na mansão. O médico alegou ser colecionador, mas algumas não tinham o registro. Além disso, descobri-se que um armário com armas e munições tinha sido removido da casa logo após a morte.

Ele foi preso por posse irregular de arma e fraude processual, mas conseguiu habeas corpus e respondia em liberdade. Se confirmado como feminicídio, será o 22º caso registrado em MS neste ano.

⚖️ Audiência e posicionamentos

A defesa do médico classificou a prisão de “descabida”, alegando inquérito inconcluso e denúncia ainda não apresentada. A investigação segue conduzida pela DEAM, com prazo estendido por mais 60 dias.

“Prisão descabida. O inquérito não foi concluído e o processo nem começou. A verdade precisa ser apurada no processo e para tanto é indispensável, elementar, fundamental, que o investigado e sua defesa sejam ouvidos e tenham o direito de produzir as suas provas e contestar as provas produzidas pela investigação. Isso se faz durante o processo, que nem começou, porque sequer denúncia há contra o Dr João. Vamos tomar as providências contra esse temerário decreto de prisão.”, cita a nota da defesa do médico.