Foram utilizadas na pesquisa plantas “fitorremediadoras”

19/02/2020 15h05
Por: Sue Anne Calais

Popularmente conhecida como “marrequinha” uma planta típica em lagos e rios do estado, vem despertando a curiosidade de pesquisadores da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), em Dourados. A macrófita aquática Salvinia biloba Raddi (Salviniaceae) foi avaliada quanto ao seu potencial para fitorremediar águas contaminadas com o herbicida glifosato.

A doutoranda em Recursos Naturais, Jaqueline da Silva Santos, orientada pelos professores Etenaldo Felipe Santiago e Gilberto Arruda, iniciou a pesquisa avaliando a tolerância das macrófitas aquáticas quando expostas ao contato com o agrotóxico (o glifosato é um dos herbicidas mais utilizados no mundo para destruir ou controlar as plantas daninhas na agricultura).

Após o estudo de parâmetros fisiológicos, que são utilizados para avaliar a “saúde” da planta frente à contaminação, foi concluído que a Salvínia se mostrou eficaz na remoção do pesticida da água.

A pesquisa foi realizada em ambiente controlado, onde foram colocadas concentrações determinadas do pesticida, e uma semana após receber as plantas, a água é avaliada para se analisar se a quantidade de pesticidas diminuiu ou não. Então se diminuiu a concentração inicial de pesticida na água que recebeu planta, significa que a planta o removeu.

De acordo com a pesquisadora, é comprovado por várias pesquisas científicas que diversas macrófitas aquáticas são eficientes na retirada de contaminantes da água, contudo as pesquisas se concentram, principalmente, em metais pesados, não em moléculas orgânicas, como é o caso do glifosato.

Os sensores utilizados para a detecção dos níveis de agrotóxico na água também foram desenvolvidos nos laboratórios da própria UEMS. Foram feitas diversas tentativas e modificações para deixar os sensores mais sensíveis, pois quanto mais sensíveis, menores quantidades de contaminante eles conseguem determinar na água.

No Brasil, a fitorremediação ainda é pouco utilizada na remediação de solo e de água contaminada, todavia em alguns estados já é utilizada no tratamento de esgoto.

A pesquisa foi realizada no Programa de Pós-graduação em Recursos Naturais, na Unidade de Dourados. UEMS

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