22/04/2020 06h55
Por: Redação

Uma pesquisa realizada no Programa de Mestrado Acadêmico em Letras da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) resultou na criação de um documentário que dá voz a mulheres com diferentes deficiências físicas. Com o tema “Vozes de Mulheres com Deficiência e a Violência de Gênero: Análise Discursiva de Narrativas de Vida em Campo Grande – MS”, a pesquisa foi realizada pela educadora social Flávia Pieretti Cardoso, com a orientação da professora Maria Leda Pinto e coorientação da professora Léia Teixeira Lacerda.

Flávia Pieretti atua como intérprete de Libras, na área da Educação Inclusiva há 13 anos, na área da violência contra mulheres com deficiência há 5 anos, tendo atuado na Casa da Mulher Brasileira em 2015. Pela sua militância junto à Associação de Mulheres com Deficiência do MS – AMDEFMS, Flávia conta que teve a preocupação de o vídeo ser acessível para todas as pessoas com deficiência, ou seja, com recurso de janela em Libras, legenda e áudio descrição. “Para que todas as mulheres sejam contempladas em seu direito à informação esse documentário configura-se em um instrumento de enfrentamento à violência de gênero contra mulheres com deficiência”, explica Flávia.

A produção do documentário foi com recursos da bolsa CAPES e pelo apoio de voluntários como a intérprete de Libras Karine Albuquerque e do áudio descritora Cândida Abes e os profissionais do audiovisual e edição, Jairton Costa e Larissa Neves, que realizaram o trabalho por um valor social. Para o roteiro Flávia escolheu a renomada jornalista Ana Paula Cardoso, da TV Record MS, uma mulher com deficiência física, tetraplegia, após acidente automobilístico em 2009 e que, também, atua como voluntária na AMDEFMS.

De acordo com a Profa. Maria Leda Pinto, orientadora, a referida pesquisa de mestrado e a produção do documentário surgiram a partir da experiência e vivência. “Flávia esteve envolvida com várias mulheres com deficiência de Campo Grande, em que por diversas vezes ouviu os relatos de violência de gênero vivenciados por elas, algumas na infância, outras na adolescência, outras por toda uma vida e, em muitos casos, sem se darem conta de que haviam sido vítimas de violência”, conta Maria Leda Pinto.

Segundo a professora Léia Lacerda, o documentário dá voz às mulheres com deficiência, oportunizando a expressão de suas vivências, de seus sentimentos, de suas “memórias” sobre a temática da violência de gênero, bem como, mostra como se tornaram protagonistas de suas vidas apesar dos episódios relatados. “O documentário apresenta as vozes de 6 mulheres com diferentes deficiências e o relato de uma mãe de uma menina com Autismo. As participantes foram consultadas e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE, para divulgação dos resultados e, a pedido de algumas delas, o sigilo foi mantido pela alteração de imagem e voz. Além das vozes dessas mulheres, também temos a voz de três mulheres que atuam diretamente no combate e no enfrentamento da violência contra as mulheres em Campo Grande – MS, a Procuradora de Justiça do Ministério Público do MS, Dra. Jaceguara Dantas, a juíza Jaqueline Machado, responsável pela Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar no Tribunal de Justiça do MS e a Coordenadora da Casa da Mulher pelo Governo Federal e assessora técnica da Secretaria Nacional de Política para Mulheres, Tai Loschi”, relata a professora Léia Lacerda.

O Documentário “Silenciadas: em busca de uma voz” está disponível no YouTube, no canal da AMDEFMS.

Edemir Rodrigues

Comentários