Pandemia deixou as pessoas mais vulneráveis ao consumo de alimentos industrializados. (Foto/Reprodução Internet)

Pandemia deixou as pessoas mais vulneráveis ao consumo de alimentos industrializados

Um a cada quatro brasileiros estão com excesso de peso ou obesos, ou seja, uma parcela de 60% da população enfrenta esse problema de saúde, considerada uma epidemia mundial. É o que revela o relatório “Cuidar de todas as formas” , manifesto sobre a obesidade assinado por várias entidades médicas nacionais. E a perspectiva para o futuro não é otimista: além de alta, o estudo prevê ainda que há uma tendência no crescimento desse número.

“São vários os fatores que ocasionam esse cenário que, além de preocupante pela alta taxa de prevalência, ainda aponta para um crescimento e não redução. Devemos considerar que a obesidade, além de ser uma doença complexa, envolve causas genéticas, neuroquímicas, psicossociais e ambientais”, diz a professora do curso de Educação Física do Centro Universitário Anhanguera Campo Grande, Erika Karla Barros da Costa.

A especialista adiciona ao contexto o período de pandemia de Covid-19 que deixou a população mais vulnerável ao consumo de alimentos industrializados. “Tudo que é mais prático, de fácil consumo e mais barato foi priorizado. Esse tipo de produto não impõe dificuldade no seu preparo ou já está pronto, mas, geralmente, se trata de um alimento com alto teor de gorduras, açúcares e sal”, salienta.

A obesidade, inclusive, é considerada fator de risco para o desenvolvimento das formas graves de Covid-19. “O confinamento fez com que muitas pessoas deixassem de praticar atividades físicas, que, aliada a uma alimentação desequilibrada, contribui no aumento do peso”, diz Erika. Um estudo realizado pela Federação Mundial da Obesidade aponta que a taxa de mortalidade em países onde as pessoas estão com excesso de peso ou obesas é 10 vezes mais elevada, se comparada com países em que menos da metade da população encontra-se nessa condição.

Treinos aeróbicos e Covid-19 – Dentre as principais recomendações para o combate ao excesso de peso está a prática de atividade física regular. Segundo a especialista, os treinos aeróbicos podem, inclusive, reduzir a taxa de mortalidade por Covid-19. “Estudos realizados com pacientes infectados revelaram que esse tipo de treinamento é capaz de promover o fortalecimento da imunidade e do sistema respiratório, minimizando a morbidade e a mortalidade em razão do vírus”, complementa.

“A prática de atividade física deve ser sempre estimulada, uma vez que promove a saúde de forma integral, contribuindo para o corpo e para a mente. Traz qualidade de vida, bem-estar e alivia as tensões do dia a dia, reduzindo os níveis de estresse, com melhoria do bom humor e da disposição”, defende a professora. “Muitas doenças, como as coronarianas e metabólicas, podem ser evitadas ou seus impactos aliviados se a pessoa é fisicamente ativa”.

Para quem deseja iniciar uma atividade física e está sedentária, a profissional recomenda que se inicie moderadamente, com treinos de baixa intensidade, desde que sejam aeróbicos, como correr, caminhar, pedalar e dançar. “É importante também buscar a orientação de um profissional de Educação Física, que irá avaliar e aconselhar as atividades ideais, de acordo com seu objetivo e condição física atual”, avisa a professora. Confira mais dicas:

– Faça um checkup para verificar se o corpo está apto à prática de atividade física;

– Para iniciantes, que buscam simplesmente qualidade de vida e bem-estar, é recomendado em torno de 150 minutos semanais divididos de 3 a 5 vezes por semana;

– Aumente gradativamente o tempo semanal ou a intensidade dos exercícios.

– Quem já pratica regularmente atividades físicas mais intensas é importante estabelecer os objetivos para se determinar a duração que pode ser até 6 vezes por semana em uma intensidade mais elevada que o iniciante.

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