Estatal definiu empresas responsáveis pelos lotes finais da fábrica de fertilizantes
Depois de mais de uma década com obras paradas, a retomada da Petrobras na UFN-3, em Três Lagoas, entrou em uma nova fase: a estatal definiu as empresas vencedoras das licitações que vão concluir a maior fábrica de fertilizantes nitrogenados de Mato Grosso do Sul. O avanço destrava um dos projetos industriais mais estratégicos do país para o agronegócio e reforça a expectativa de geração de milhares de empregos na região leste do Estado.
A Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-3), localizada em Três Lagoas, teve as obras iniciadas em 2011, mas o empreendimento foi interrompido em 2014, durante a crise enfrentada pela construção pesada e pelo processo de reestruturação da Petrobras.
Agora, após reavaliação técnica e econômica aprovada pelo Conselho de Administração da estatal, o projeto voltou oficialmente à carteira de investimentos da companhia.
Segundo a Petrobras, cerca de 81% da estrutura física da planta já está concluída. O investimento estimado para finalizar o empreendimento é de aproximadamente R$ 5 bilhões, com previsão de retomada efetiva das obras em 2027 e início das operações comerciais em 2029.
A companhia decidiu dividir a execução da obra em sete lotes no modelo EPC, estratégia que amplia a concorrência entre empresas, reduz riscos de concentração contratual e melhora a eficiência da execução.
Os contratos abrangem desde obras de infraestrutura, drenagem e pavimentação até sistemas industriais de alta complexidade, incluindo produção de amônia, granulação de ureia, automação, energia, sistemas de água e efluentes, armazenagem e expedição.
Entre as vencedoras dos principais lotes estão os consórcios ETC Empreendimentos e Engeko Engenharia, Enfil e Carioca, Monto Industrial e Mendes Júnior, além das empresas Coesa Construção e Montagens e Nova Engevix Engenharia em parceria com a PowerChina International.
Quando entrar em operação, a UFN-3 terá capacidade para produzir cerca de 3,6 mil toneladas diárias de ureia e 2,2 mil toneladas de amônia. Parte da produção será destinada ao mercado de fertilizantes e outra parcela atenderá setores petroquímicos.
A retomada do projeto ocorre em um momento considerado estratégico para o Brasil, que ainda depende fortemente da importação de fertilizantes. Atualmente, cerca de 80% dos adubos consumidos no país vêm do exterior, segundo dados do setor, com participação relevante da Rússia entre os principais fornecedores.
Para a Petrobras, ampliar a produção nacional de fertilizantes nitrogenados fortalece a segurança do abastecimento do agronegócio brasileiro e reduz impactos provocados por crises geopolíticas e oscilações internacionais de preços.
Além do impacto industrial, a expectativa é de forte movimentação econômica em Mato Grosso do Sul. A estimativa é que a fase de construção gere cerca de 8 mil empregos diretos e indiretos, impulsionando comércio, serviços e fornecedores locais.
A localização estratégica de Três Lagoas, próxima aos principais polos consumidores do Centro-Oeste e integrada a corredores logísticos voltados às regiões Sul e Sudeste, também é apontada como um diferencial competitivo do empreendimento.
O setor de fertilizantes ganhou espaço no planejamento estratégico da Petrobras para os próximos anos. O Plano de Negócios 2026-2030 prevê investimentos de US$ 15,8 bilhões nas áreas de refino, transporte, comercialização, petroquímica e fertilizantes, incluindo a conclusão da planta sul-mato-grossense.




















