PF continua colhendo depoimentos da operação Vostok nesta quarta-feira

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04/09/2019 14h40
Por: Alan Diógenes

A Polícia Federal continua com a força-tarefa para ouvir testemunhas e investigados da Operação Vostok, sobre pagamento de propina do Grupo J&F – controlador do frigorífico JBS a políticos. Na manhã desta quarta-feira, 4, foram ouvidos o delator da Operação Lama Asfáltica Ivanildo Cunha Miranda, o ex-prefeito de Porto Murtinho Nelson Cintra, o deputado estadual Zé Teixeira (DEM) e o pecuarista Elvio Rodrigues.

Elvio é apontado como um dos emissários de notas fiscais falsas, utilizadas pela JBS para distribuição de propina entre políticos de Mato Grosso do Sul. Já Zé Teixeira é apontado como emissor de notas fiscais “frias” para dissimulação do esquema de pagamento de propina outras empresas do ramo agropecuário e frigorífico.

De acordo com a investigação, do total de créditos tributários auferidos pela empresa dos colaboradores, um percentual de até 30% era revertido em proveito da organização criminosa investigada.

Ivanildo também esteve no prédio da PF. Ele é o delator na Operação Lama Asfáltica e também da delação dos irmãos Wesley e Joesley Batista. Em 2017, ele procurou a Polícia Federal para celebrar um acordo de delação premiada.

Já Nelson Cintra já foi ouvido três vezes sobre seus negócios com a JBS. Ele diz que todas as transações são legais e comprovadas em documentação entregue à Receita Federal.

Ao falar com a imprensa na saída do prédio da PF, alguns depoentes mencionaram que as perguntas feitas pelos delegados de Brasília são as mesmas que nos depoimentos anteriores, ou seja, repetidas. O que levanta a hipótese de uma tática usada pelos policiais para comprovar a veracidade dos depoimentos e ver se algum depoente entra em contradição, ou se os depoimentos conferem com o dos outros ouvidos.

Ao todo, serão ouvidas 110 pessoas. Essa é uma ação decorrente do IPL (Inquérito Polícial) 1.190, após cumprimento dos mandados de busca, apreensão e quebra de sigilos telefônicos e fiscais realizados em 2018.

Também são ouvidas testemunhas e investigados em São Paulo, Paraná, Mato Grosso e Ceará.

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