Piracema começa no domingo em MS e pesca será proibida até fevereiro de 2027

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(Foto: Divulgação/Imasul)

Restrição começa primeiro na bacia do Rio Paraná e chega ao Rio Paraguai no dia 5 de novembro. Imasul mobiliza 40 servidores para fiscalização, que também vai atingir peixarias, mercados e restaurantes.

O período de defeso é necessário para proteger a reprodução dos peixes, que migram em direção às cabeceiras dos rios para realizar a desova. O nome Piracema tem origem na língua tupi e significa movimento ou subida dos peixes.

Durante o período, ficam proibidas a pesca amadora e a profissional, inclusive na modalidade pesque e solte, ressalvadas as exceções previstas na legislação. A medida busca garantir a reprodução das espécies e evitar a redução dos estoques pesqueiros.

Fiscalização terá 40 servidores

Para acompanhar o cumprimento das regras, o Imasul preparou a Operação Piracema 2026/2027, com a participação de 40 servidores, distribuídos em três equipes que trabalharão em sistema de revezamento.

As ações serão concentradas em pontos estratégicos das bacias dos rios Paraná e Paraguai. As equipes vão fiscalizar embarcações, cachoeiras, corredeiras e estabelecimentos que comercializam ou armazenam pescado nativo.

O planejamento também prevê vistorias em aproximadamente 30 a 50 estabelecimentos, entre peixarias, entrepostos, mercados, supermercados, restaurantes e hotéis, tanto em áreas urbanas quanto rurais.

Durante as abordagens, os fiscais poderão exigir documentos que comprovem a origem legal dos produtos, como Declaração de Estoque, Guia de Controle de Pescado (GCP), notas fiscais e autorizações ambientais.

De acordo com o diretor de Licenciamento e Fiscalização do Imasul, Luiz Mário Ferreira, a operação também terá caráter educativo, com orientações a pescadores, turistas e comerciantes sobre as restrições.

O monitoramento deverá utilizar informações estratégicas e recursos tecnológicos para identificar regiões mais vulneráveis à pesca ilegal, acompanhar denúncias e direcionar as equipes aos locais de maior risco.

O que é permitido durante a Piracema?

Uma das exceções previstas na legislação é a pesca de subsistência, destinada exclusivamente à alimentação, sem finalidade comercial.

A atividade é permitida a pescadores profissionais devidamente autorizados e a moradores ribeirinhos, desde que sejam respeitadas as condições estabelecidas pelas normas ambientais.

A captura deve ser realizada por pessoas desembarcadas ou em embarcações movidas a remo, sem motor, utilizando os petrechos permitidos. A cota é de até 3 quilos de pescado ou um exemplar, respeitados os tamanhos estabelecidos na legislação.

A pesca para fins científicos também pode ocorrer mediante autorização específica dos órgãos ambientais.

Estoques de pescado precisam ser declarados

Pescadores profissionais e comerciantes que mantiverem estoques de peixes nativos antes do início do defeso devem apresentar a Declaração de Estoque de Pescado, conforme as exigências do Imasul.

A obrigação inclui produtos in natura, resfriados ou congelados, além daqueles destinados ao comércio ornamental, à aquariofilia ou utilizados como isca viva.

Para o calendário deste ano, o prazo informado pelo Instituto é até 7 de novembro de 2026. A declaração pode ser encaminhada pelo e-mail [email protected] ou entregue nas unidades da Polícia Militar Ambiental (PMA).

O formulário está disponível no site do Imasul.

Os pescadores amadores também devem observar as exigências relacionadas à Guia de Controle de Pescado (GCP), emitida pela Polícia Militar Ambiental, conforme as regras aplicáveis.

A falta da declaração obrigatória pode resultar na apreensão do pescado e em autuações ambientais.

Pesca do dourado continua proibida

Mesmo fora do período de Piracema, a captura do dourado (Salminus brasiliensis) permanece proibida em Mato Grosso do Sul, com exceção de atividades de pesquisa científica devidamente autorizadas.

A autorização para estudos foi estabelecida pela Portaria nº 1.767, de 22 de outubro de 2026, vinculada ao projeto que investiga a situação da espécie nos rios sul-mato-grossenses.

A pesquisa reúne instituições como UEMS, UFMS, UFGD, Universidade Estadual de Maringá e Embrapa Pantanal, responsável pela coordenação do projeto, com financiamento da Fundect.

O objetivo é ampliar o conhecimento sobre a biologia, a conservação e a dinâmica populacional do dourado, fornecendo informações para orientar futuras medidas de proteção.

A captura fora das condições autorizadas continua sujeita às penalidades previstas na legislação ambiental.

Quando a pesca será liberada?

O período de defeso termina em 28 de fevereiro de 2027. A partir de março, a pesca poderá ser retomada, desde que sejam respeitadas as demais regras ambientais.

Entre as exigências estão a licença ambiental de pesca, quando obrigatória, os tamanhos mínimos e máximos dos peixes, as cotas permitidas e os equipamentos autorizados.

O encerramento da Piracema não significa liberação irrestrita da atividade. Espécies protegidas, como o dourado, continuam sujeitas às restrições específicas.

O Imasul reforça que o cumprimento das regras durante o período reprodutivo é fundamental para garantir a renovação dos estoques pesqueiros e a preservação dos rios de Mato Grosso do Sul.