Um policial militar foi detido em flagrante pela Polícia Federal nesta quarta-feira (19), acusado de participar do transporte de uma carga com 652 aparelhos celulares de origem estrangeira, totalmente desprovida de notas fiscais e de qualquer regularização aduaneira. A operação revela suposto uso da função pública para facilitar o escoamento de mercadorias irregulares na região de fronteira.
A ação apreendeu ainda R$ 6.850 em espécie, dois veículos utilizados no transporte e uma arma de fogo com identificação institucional da PM/MS. O armamento oficial, que deveria ser usado exclusivamente no exercício da função, foi encontrado junto aos materiais apreendidos, levantando suspeita de que estaria sendo empregado para dar aparência de legalidade e segurança ao transporte ilegal.
Os homens presos — entre eles o militar —, os veículos, a carga, o dinheiro e o armamento foram encaminhados à Delegacia de Polícia Federal em Ponta Porã, cidade na fronteira com o Paraguai, onde os fatos serão investigados. A hipótese principal apurada é de descaminho, com agravante pelo envolvimento de agente público que, em tese, usaria sua condição e equipamentos da corporação para proteger a operação.
A quantidade de aparelhos sem qualquer regularização sugere que não se trata de transporte eventual, mas sim de uma rota estruturada de entrada e distribuição de produtos importados sem pagamento de impostos e sem fiscalização. A presença de um militar da ativa reforça a suspeita de que a carga contava com proteção privilegiada justamente para evitar abordagens como a que ocorreu.
As autoridades agora aprofundam as investigações para identificar a origem exata dos celulares, o destino final da mercadoria e se outras pessoas, inclusive servidores públicos, integram o grupo responsável pela logística de entrada e distribuição dos produtos irregulares. O caso também deverá ser comunicado à Polícia Militar de Mato Grosso do Sul para apuração interna e aplicação de medidas disciplinares.





















