Após o brutal assassinato de Alex Lopes, de 18 anos, a comunidade da reserva indígena Taquaperi decidiu retomar a fazenda onde o jovem teria sido morto. Foto: comunidade Taquaperi

A Polícia Federal divulgou nesta quinta-feira (26) que já enviou equipes para investigar a morte do jovem Guarani Kaiowá Alex Recarte Vasques Lopes, de 18 anos, ocorrido em uma fazenda da cidade de Coronel Sapucaia no último domingo (22).

Ao todo, foram mobilizadas três equipes para a região e “foi instaurado Notícia Crime em Verificação (NCV) para confirmar se a morte do indígena tem relação com disputas territoriais locais ou que atinja a comunidade indígena como um todo, já que, neste caso, seria de competência da Justiça Federal processar e julgar”.

De acordo com a denúncia, Alex estava acompanhado de outros dois jovens indígenas quando foi morto. O corpo teria sido levado para o lado paraguaio da fronteira, que fica a menos de dez quilômetros dos limites da reserva indígena.

De acordo com o Cimi (Conselho Indigenista Missionário), fotos mostram o corpo de Alex com pelo menos cinco orifícios compatíveis com projéteis de armas de fogo. A cidade de Coronel Sapucaia fica separada de Capitán Bado, no Paraguai, apenas por uma avenida. 

Em protesto, o povo Guarani e Kaiowá chegou a ir até a propriedade rural, cujo nome não foi divulgado, mas foi impedido por um bloqueio. Segundo o Cimi, a barreira foi posicionada na rodovia MS-286, que atravessa a Terra Indígena Taquaperi e também dá acesso a outras comunidades indígenas da região.

“Os Guarani e Kaiowá cobram que o assassinato seja investigado com urgência pelas autoridades federais, pois temem que o cenário do crime seja alterado e que a perícia seja inviabilizada”, diz texto divulgado no site do Cimi.

A Aty Guasu, Grande Assembleia Guarani Kaiowá, publicou uma carta lamentando o episódio e também o vasto histórico de violência de fazendeiros contra indígenas do povo Guarani Kaiowá.

“Alex, menino de 18 anos, cheio de sonhos, como as demais crianças e jovens lutavam – porque, no MS [Mato Grosso do Sul], para um Kaiowá viver é lutar – para ter um futuro em meio à violência e genocídio que nos cerca. Ele é o quarto da família extensa Lopes que é assassinado em Coronel Sapucaia desde 2007, em uma sequência de ataques que nunca para e que nunca parou contra nossos territórios”, diz um trecho da carta da Aty Guasu.

Comentários