Primeiro atendimento por telessaúde para aldeias indígenas aproxima HU-UFGD da Reserva de Dourados

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Foto: Divulgação

Após meses de estruturação, testes e treinamento das equipes de saúde, o Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD), integrante da Rede HU Brasil, realizou o primeiro atendimento especializado por telessaúde voltado às aldeias indígenas da Reserva Indígena de Dourados (RID) dentro da rotina assistencial do projeto. A teleinterconsulta foi realizada entre a Unidade Básica de Saúde Indígena (UBSI) da Aldeia Bororó e o HU-UFGD, com o paciente acompanhado presencialmente pela equipe da atenção básica indígena local e suporte remoto de médico especialista do hospital.

A iniciativa integra o projeto de telessaúde que busca ampliar o acesso à atenção especializada sem necessidade de deslocamento até a cidade. O atendimento especializado foi conduzido na sexta-feira (22) pelo médico endocrinologista Rafael Domingues de Moraes, por meio da plataforma de teleatendimento. A UBSI da Aldeia Bororó e o HU-UFGD estão localizados a cerca de nove quilômetros de distância dentro do município de Dourados, o que reforça o papel da telessaúde na redução de deslocamentos para atendimento especializado.

Segundo o chefe da Unidade de e-Saúde do HU-UFGD, André Rogério da Silva, que acompanhou a teleinterconsulta, a dinâmica do atendimento ocorreu de forma integrada entre as equipes da saúde indígena e do hospital. “O paciente foi acolhido e acompanhado presencialmente pela equipe da UBSI, enquanto o atendimento especializado foi realizado remotamente por meio da plataforma de teleatendimento. Durante a teleconsulta, houve interação entre os profissionais da unidade e o médico especialista do hospital, permitindo discussão clínica, avaliação do caso e definição conjunta das condutas necessárias”, explicou.

Para André Rogério, a experiência demonstrou o potencial da iniciativa para fortalecer ainda mais o cuidado especializado nos territórios indígenas. “A avaliação da teleinterconsulta foi bastante positiva. A experiência demonstrou viabilidade técnica, boa articulação entre as equipes envolvidas e potencial significativo da telessaúde como ferramenta de ampliação do acesso ao cuidado especializado. Além disso, evidenciou a importância da utilização da tecnologia para fortalecimento da assistência em saúde nos territórios indígenas, promovendo maior acessibilidade, continuidade do cuidado e apoio às equipes locais”, afirmou.

A proposta é que as teleinterconsultas ocorram a partir de solicitações das duas UBSIs do território indígena, de acordo com as demandas identificadas pelas equipes de saúde nas aldeias.

Telessaúde indígena

Primeiro atendimento por telessaúde para aldeias indígenas aproxima HU-UFGD da Reserva de Dourados
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O projeto “Telessaúde como Ferramenta de Expansão da Conectividade e Acessibilidade ao Sistema Único de Saúde (SUS) em Território Indígena” é desenvolvido pela Unidade de e-Saúde, da Gerência de Ensino e Pesquisa, em parceria com o Comitê de Saúde Indígena do HU-UFGD e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde. A iniciativa foi lançada em julho de 2025 após contemplação por meio de edital da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect), com investimento de R$ 80 mil destinados à compra de equipamentos e ampliação da equipe.

A iniciativa foi construída a partir do diálogo com lideranças indígenas, profissionais de saúde e instituições parceiras, com o objetivo de garantir atendimento humanizado, acessível e culturalmente sensível às comunidades indígenas da Reserva Indígena de Dourados –  formada pelas aldeias Jaguapiru e Bororó e considerada uma das maiores reservas indígenas em área urbana do país.

Desde o anúncio do projeto, em 2025, o HU-UFGD vem estruturando a implantação do serviço. Em outubro do ano passado, foram entregues os equipamentos que viabilizam os atendimentos nas duas unidades básicas de saúde das aldeias. Entre os itens instalados nas unidades de saúde estão computadores, monitores, webcams, headsets e equipamentos clínicos utilizados durante as teleconsultas e teleinterconsultas.

Treinamento

Primeiro atendimento por telessaúde para aldeias indígenas aproxima HU-UFGD da Reserva de Dourados
Foto: Divulgação

Em dezembro de 2025, o hospital promoveu treinamento com cerca de 30 profissionais do Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul (DSEI-MS), incluindo médicos, enfermeiros e farmacêuticos, além de integrantes do Comitê de Saúde Indígena, da Unidade de e-Saúde e da Unidade de Sistemas de Informação e Inteligência de Dados do HU-UFGD.

Durante a capacitação, os participantes receberam treinamento para utilização dos equipamentos que passaram a integrar a estrutura das aldeias, como eletrocardiógrafos, oxímetros de pulso, esfigmomanômetros e estetoscópios adultos e infantis.

O chefe da Unidade de Sistemas de Informação e Inteligência de Dados do HU-UFGD e coordenador do projeto, Junior Eduvirgem, destacou que os equipamentos representam um avanço inédito para o atendimento dentro da reserva indígena. “Participaram desse treinamento os profissionais de saúde do DSEI, Comitê de Saúde Indígena, da Unidade de e-Saúde e da Unidade de Sistemas de Informação e Inteligência de Dados do HU-UFGD. Até então, esses equipamentos não eram utilizados na aldeia. Eles podem funcionar com conexão e atender ao serviço no atendimento aos indígenas ou ajudar na consulta por telemedicina. Os equipamentos serão operados pelos profissionais”, explicou.

O gerente de Ensino e Pesquisa do HU-UFGD, Thiago Pauluzi Justino, ressaltou que o treinamento foi uma etapa estratégica para garantir a implantação segura e eficiente do serviço. “O primeiro treinamento em telessaúde foi uma etapa fundamental porque capacita as equipes a usar corretamente os novos equipamentos, padroniza procedimentos e melhora a apresentação dos casos aos especialistas do HU-UFGD. Ele também fortalece o matriciamento, ao aproximar as equipes locais dos especialistas e ampliar o suporte técnico-educativo contínuo”, afirmou.

Segundo Pauluzi, o uso dos novos equipamentos deve transformar o atendimento prestado às famílias indígenas nas aldeias Jaguapiru e Bororó. “Com o uso de eletrocardiógrafos, oxímetros, estetoscópios e esfigmomanômetros, as equipes passam a qualificar a triagem, identificar precocemente situações de risco e compartilhar dados objetivos com especialistas por telessaúde. Isso amplia a resolutividade local, reduz encaminhamentos e deslocamentos desnecessários e torna o atendimento às famílias indígenas mais ágil, seguro e contínuo, alinhado às necessidades e às características do território”, explicou.

Ele também destacou os impactos esperados para os pacientes indígenas com a consolidação do projeto. “A expectativa é que a telessaúde reduza significativamente a necessidade de deslocamentos até a cidade, facilite o acesso a especialistas do HU-UFGD e aumente a resolutividade dos atendimentos realizados nas aldeias. Esse modelo acelera diagnósticos, garante continuidade do cuidado e promove ensino permanente para os médicos das UBS indígenas, ampliando a segurança clínica e o conforto dos pacientes indígenas”, concluiu.