Família reunida com o pequeno Maurício. (Foto: Arquivo pessoal)

Maurício de quatro anos é autista e já havia estudado anteriormente na escola João Batista em Campo Grande

No início desta semana, uma mãe que estava em busca de matricular seu filho em uma escola privada de Campo Grande teve um desdobramento inesperado e triste. Diante de recusas, sob alegação de que não haveria disponibilidade de vagas, Cristiane Braz acabou descobrindo que as negativas seriam devido a condição de seu filho, que tem Transtorno do Espectro Autista (TEA). A escola emitiu nota esclarecendo os fatos, que pode ser lida ao final da reportagem.

Procura por vaga em escola termina com descoberta de rejeição por autismo

Cristiane de Andrade Braz, de 28 anos, enfermeira e mãe de Maurício de quatro anos, relata que se viu diante de uma situação que lhe chateou, já que o menino já havia sido estudante do Colégio João Batista no ano anterior e saído devido ao agravamento da pandemia. Localizado na Rua da Divisão no bairro Parati, a escola seria a melhor opção, tendo em vista a facilidade e foto de tanto o menino, como a instituição já estarem familiarizados. A enfermeira detalha ainda que há várias semanas havia procurado a instituição, e que fora informada, que devido a redução da capacidade ocasionada pela pandemia não haveriam vagas, chegou a perguntar sobre lista de esperam que disseram não possuir.

Tentou outras vezes, sem sucesso. Precisando entrar em contato novamente com escola para solicitar recibos necessários para atividades de cunho econômico, Cristiane aproveitou para perguntar novamente, entretanto desta vez através de aplicativo de mensagem sem ainda ter se identificado se surpreendeu ao perceber que a funcionária sabia de quem se tratava.” Seria para o Maurício, né? Não, está tudo cheio”, disse a atendente. Motivada por uma ‘pulguinha atrás da orelha’ e pelo instinto de mãe, ela sentiu que algo ali não estava certo.

Procura por vaga em escola termina com descoberta de rejeição por autismo

Comentou com o marido o que havia acontecido e pediu para que o mesmo ligasse de seu celular para o colégio e perguntasse sobre a disponibilidade. Assim foi feito, e para surpresa do pai a resposta foi sim, que teriam vagas, tanto para o período da tarde como para o da manhã, para o jardim II, a mesma que era solicitada para Maurício.

Ao saber do ocorrido Cristiane relata ter ficado incrédula e devido a isso pediu que uma amiga entrasse em contato via aplicativo de mensagens e procurasse pelo mesmo serviço, que também recebeu resposta positiva e ainda com início imediato.

Após compreender sobre o que aquilo tudo se tratava, como forma de protesto e de alertar outras famílias realizou um post em uma rede social, onde acabou viralizando e sensibilizando muitas pessoas, que compreenderam sua dor como mãe.

“A minha indignação não é nem tanto pela recusa explicita, pelo meu filho ter necessidades especiais, mas sim pela falta de clareza e sinceridade da escola João Batista, fiquei triste pela mentira”. Ela ainda complementa que no tempo em que o filho esteve no colégio foi bem tratado, no entanto notou um despreparo para a situação, porém nunca enxergou isso com maus olhos, pois ela como mãe de uma criança portadora de autismo entende as dificuldades e particularidades que essa condição exige.

Encerra deixando uma mensagem. “Só quero deixar registrado que a nossa intenção com tudo isso é que a inclusão saia do papel, que as escolas entendam a importância da função delas nisso, uma escola deve estar preparada para receber todos os tipos de crianças.”

Colégio João Batista

A equipe de reportagem do Enfoque MS, entrou em contato com o colégio, que emitiu nota sobre negativa de vaga a um aluno portador de autismo. “Primeiramente, manifestamos nossas mais sinceras desculpas pelo ocorrido, infelizmente, houve uma falha por conta de nossa funcionária onde informa que não teria vaga em nenhum período, informação esta repassada erroneamente sendo que teríamos sim vaga disponível no período matutino para o Maurício”, inicia nota da escola.

A escola João Batista esclarece que Maurício foi aluno entre 2019 e parte de 2020, e segundo a instituição de ensino, a família sempre foi muito satisfeita com o trabalho, tanto que desejaram retornar. “Infelizmente, na pandemia, mesmo com desconto especial e aulas diferenciadas, feitas exclusivamente para ele, pois aula on-line não o atendia, eles precisaram tirar o Maurício da escola, assim como dezenas de outros alunos, por diversos motivos que cabe a cada um”, explicou.

Sendo assim, a mãe do aluno especial procurou por algumas vezes a escola este ano e, em todas elas, não havia vaga disponível no período vespertino, apenas no matutino, o que não lhe atendia, razão pela qual o Mauricio não retornou.

Desta forma, na data de 12 de julho, Cristiane entrou em contato novamente com a escola procurando vaga para o período vespertino, o que por “uma falha de nossa funcionária foi informado que não teria vaga para nenhum período”, destacou a nota.

Assim, o colégio só teve conhecimento do erro cometido dois dias depois, após a Cristiane através de sites de notícias, expor o ocorrido, como ocorreu hoje, junto a redação do EnfoqueMS.

Assim, a escola fez contato com a redação, passando a esclarecer, prontamente, as alegações de funcionária.

“Quanto a vaga nos dois períodos ofertada para a outra aluna, é devido a ter uma vaga apenas a tarde, sendo possível então, colocá-la sem infringir as regras de biossegurança, ultrapassando o limite permitido. Posto que colocando o Maurício na turma da tarde e mais uma profissional para atende-lo, excederia a quantidade permitida”, reiterou a escola.

A instituição de ensino informou ainda que já fez contato com os pais e explicou sobre a capacidade das turmas e se colocaram à disposição para continuar contribuindo na formação do Maurício.

“Informamos ainda que é totalmente inverídica as afirmações onde a escola teria realizado a emissão de laudo quanto a condição do Maurício, o que fizemos foi encaminhar o Aluno para os profissionais responsáveis para a investigação do caso, tendo em vista que a escola não tem autonomia para laudar”, enfatizou nota da escola.

Neste sentido a escola João Batista diz que não coaduna com qualquer tipo preconceito ou discriminação, e pelo contrário, é uma instituição inclusiva, que sempre teve e terá diversos alunos especiais, inclusive que demandam maior atenção e cautela.

*Atualizado às 13h14

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