Produtores denunciam invasão de fazendas em Sidrolândia; Terena afirmam retomada de território

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(Foto: Arquivo/Cimi)

Boletim de ocorrência relata danos e restrição de liberdade de funcionários, enquanto indígenas negam acusações

Uma disputa por área rural em Sidrolândia, na região central de Mato Grosso do Sul, voltou a provocar tensão neste sábado (13). Produtores rurais registraram boletim de ocorrência denunciando a invasão de fazendas localizadas na área da Terra Indígena Buriti, enquanto representantes do povo Terena afirmam que a ação faz parte de uma retomada de território tradicional e negam acusações de violência e cárcere privado.

Segundo o registro policial, proprietários e responsáveis por três fazendas situadas às margens das rodovias MS-162 e MS-455 procuraram a Delegacia de Polícia Civil para comunicar que indígenas teriam ocupado as propriedades. De acordo com os relatos, funcionários foram abordados durante a ação e houve danos ao patrimônio.

Ainda conforme a ocorrência, trabalhadores teriam sido rendidos e mantidos sob restrição de liberdade por algumas horas. Os comunicantes também afirmam que casas existentes nas propriedades foram incendiadas e que máquinas e equipamentos agrícolas teriam sido levados para uma área já ocupada anteriormente por indígenas.

Uma das produtoras rurais informou às autoridades que não conseguiu contato com funcionários de sua fazenda após a ocupação. Ela, também, postou vídeo nas redes sociais:

A Polícia Civil informou que a perícia criminal foi acionada para o local e que o caso será investigado para esclarecer as circunstâncias dos fatos e ouvir todos os envolvidos.

Terena falam em retomada de território tradicional

Do outro lado do conflito, lideranças do povo Terena afirmam que a ocupação realizada neste sábado corresponde a uma retomada da Fazenda São Sebastião da Serra, área que, segundo os indígenas, está sobreposta à Terra Indígena Buriti.

Em nota divulgada por organizações ligadas ao movimento indígena, os Terena alegam que a medida foi adotada diante da falta de avanços no processo demarcatório da área, que, apesar de possuir Portaria Declaratória da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) publicada em 2001, ainda não teve sua regularização fundiária concluída.

As lideranças também contestam as acusações divulgadas nas redes sociais e registradas na ocorrência policial, negando que mulheres e crianças tenham sido mantidas como reféns ou que tenha havido cárcere privado de funcionários. Segundo o posicionamento, informações falsas estariam sendo compartilhadas para estimular uma reação violenta contra a comunidade indígena.

A disputa pela área da Terra Indígena Buriti se arrasta há anos e já foi palco de episódios de violência envolvendo indígenas e produtores rurais. O procedimento de demarcação segue sem conclusão definitiva, enquanto a área permanece parcialmente ocupada por propriedades privadas.

Até o momento, não houve manifestação oficial da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) ou de outros órgãos federais sobre os fatos registrados neste fim de semana. O caso continua sendo acompanhado pelas autoridades de segurança pública e deverá ser apurado pela Polícia Civil.