
“Mixi pela Cidade” percorre cinco comunidades com apresentações gratuitas voltadas ao público infantil
Durante cinco dias, o riso vai ocupar escolas, projetos sociais, comunidade quilombola e aldeia indígena urbana de Campo Grande. De terça-feira (24) a sábado (28), o espetáculo “MixiCirquinho”, protagonizado pela palhaça Mixirica, circula por bairros periféricos com o projeto “Mixi pela Cidade”, levando teatro e circo a quem, muitas vezes, tem pouco acesso a ações culturais.
Criada pela artista Kelly Figueiredo, a palhaça Mixirica já percorreu o interior de Mato Grosso do Sul. Agora, a proposta é descentralizar e apresentar o espetáculo em territórios onde a arte é também ferramenta de formação e pertencimento.
A temporada começa às 16h desta terça-feira (24), no Projeto Socioeducativo Harmonia e Frutos, no Jardim Colúmbia. Na quarta-feira (25), às 9h30, a apresentação será na Escola Municipal Professora Ana Lúcia Batista, no Jardim Paulo Coelho Machado.
Na quinta-feira (26), às 10h, o espetáculo chega à Escola Municipal Dionízio Antônio Vieira, na comunidade quilombola Furnas do Dionísio. Já na sexta-feira (27), às 15h, a apresentação ocorre na aldeia indígena urbana Estrela da Manhã, no Jardim Noroeste. A temporada se encerra no sábado (28), às 10h, na CUFA, no bairro São Conrado. Todas as sessões são gratuitas e voltadas especialmente ao público infantil, com capacidade para até 100 crianças por apresentação.
Circo portátil e valores em cena
Com duração de 40 minutos, o “MixiCirquinho” apresenta um picadeiro portátil em que Mixirica divide a cena com a personagem Mixipulga. Entre números de corda bamba, saltos e mágicas improvisadas, o espetáculo recria o universo do circo clássico com foco na interação direta com o público.
A narrativa é construída a partir da amizade entre as personagens, destacando valores como respeito às diferenças, empatia e diálogo. Segundo Kelly Figueiredo, o projeto nasceu do desejo de ampliar o alcance do trabalho.
“O que me motivou foi garantir que essa experiência chegasse a territórios com menos acesso a ações culturais. Ao perceber o impacto que o espetáculo gera nas crianças, surgiu o desejo de descentralizar a arte e possibilitar que mais pessoas tenham contato com o teatro e o circo, muitas vezes pela primeira vez”, afirma.
Cultura como direito
Entre os locais que recebem o espetáculo está a comunidade quilombola Furnas do Dionísio. Para o educador e pesquisador Vanderlei dos Santos, iniciativas culturais em comunidades tradicionais exigem escuta e construção conjunta.
Ele ressalta que não se trata de “dar voz”, mas de atuar com as comunidades. Segundo o educador, políticas culturais recentes ampliaram o acesso a editais, mas ainda é necessário consolidar ações permanentes.
A presença de um espetáculo de artes cênicas na escola quilombola, afirma Vanderlei, fortalece o eixo do “apreciar” no ensino de arte — etapa que costuma ser limitada em territórios periféricos. “Quando o espetáculo vem até a comunidade, garante acesso real à fruição artística e contribui para a formação dos estudantes”, pontua.
Encontro além das telas
Em um contexto marcado pelo excesso de telas, a palhaçaria surge como espaço de convivência presencial. Kelly destaca que o circo valoriza o erro como parte do processo criativo e estimula a participação ativa das crianças.
Cada apresentação é adaptada ao território. “Não é apenas uma adaptação técnica, mas humana. Cada espaço tem seu ritmo, e o espetáculo se constrói junto com o público”, explica.
O projeto “Mixi pela Cidade” conta com Kelly Figueiredo na dramaturgia, cenografia e atuação; Marcelo Leite na produção e sonoplastia; Breno Lucas como social media; Edner Gustavo na iluminação; e Arruda Comunicação na assessoria de imprensa.
Ao levar o picadeiro para escolas e comunidades, a iniciativa reafirma a cultura como direito e aposta no riso como ferramenta de transformação social.



















