Três projetos de pesquisadores da UFMS integram a lista de 11 aprovados na chamada MS carbono neutro, edital da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia (Fundect), com foco em selecionar projetos de pesquisa e inovação que contribuam para a neutralização das emissões de Gases Efeito Estufa (GEE) em Mato Grosso do Sul.

Na lista dos que receberão recursos estão os projetos:  Modelagem preditiva de serviços ecossistêmicos gerados pelo estoque e sequestro de carbono no estado de Mato Grosso do Sul, do pesquisador Vítor Matheus Bacani, lotado no Campus de Três Lagoas (CPTL); Impactos de emissões antropogênicas da região de Campo Grande-MS na poluição atmosférica e no aumento de Gases do Efeito Estufa, do pesquisador Vinícius Buscioli Capistrano, lotado no Instituto de Física (Infi), e Balanço de carbono nos biomas de Mato Grosso do Sul: fontes e sumidouros utilizando sensores remotos e modelagem futura, do pesquisador Paulo Eduardo Teodoro, lotado no Campus de Chapadão do Sul (CPCS).

Segundo diretor científico da Fundect, Nalvo Franco de Almeida Junior, o interesse em apresentar propostas para mitigar as emissões de GEE demonstra o comprometimento dos pesquisadores da UFMS. “A UFMS é uma das principais parceiras da Fundect hoje e possui um grande número de pesquisadores com projetos aprovados pela Fundação, o que mostra a sua enorme capacidade instalada de pesquisa e inovação. Esse número de três projetos a serem contratados na chamada do Carbono Neutro, dentre os onze aprovados, mostra exatamente o altíssimo grau de competência, além do comprometimento dos pesquisadores da UFMS em mitigar as emissões de GEE no Mato Grosso do Sul.

Nalvo Junior destacou que o montante total de recursos é de R$ 4 milhões e que os projetos foram divididos em duas faixas. “Para a Faixa A foram destinados R$ 1 milhão, alocados a sete projetos aprovados, enquanto que para a Faixa B foram destinados R$ 3 milhões, alocados a quatro projetos aprovados”, detalha.

Projetos

Segundo o pesquisador Vitor Matheus Bacani, o projeto Modelagem preditiva de serviços ecossistêmicos gerados pelo estoque e sequestro de carbono no estado de Mato Grosso do Sul tem como objetivo mapear, ao longo das últimas três décadas, o estoque de carbono em Mato Grosso do Sul e simular o sequestro de carbono de diferentes cenários para os anos de 2030 e 2050, usando sensoriamento remoto e modelos preditivos.

“O projeto irá contribuir para neutralizar as emissões por meio de indicadores gerados a partir das simulações de sequestro de carbono para os anos de 2030 e 2050 em dois cenários: um seguindo a tendência atual de mudanças no uso e cobertura da terra e outro considerando um cenário ideal para a conservação. A partir desses resultados será possível avaliar se estamos no caminho do cumprimento das metas de redução das emissões relacionadas ao uso e cobertura da terra no estado, bem como traçarmos diretrizes para atingirmos as metas estaduais de neutralização das emissões”, explica o professor que é coordenador do projeto.

Ele destaca ainda que o trabalho será desenvolvido no Laboratório de Sensoriamento Remoto (La-Ser) do CPTL, em parceria com pesquisadores da Uems, Unesp, universidades da França (Université de Rennes 2) e Nova Zelândia (University of Canterbury) e membros do grupo de pesquisa do CNPq: “GEOTEMA – Geotecnologias e Modelagem Ambiental”.

“Acreditamos que a aprovação deste projeto tem um significado muito especial para o estado, no sentido de aprofundarmos no conhecimento de ações que caminham na direção da neutralização das emissões de GEE num futuro próximo, impactando políticas públicas de múltiplas escalas em benefício de toda sociedade. Agradecemos o apoio institucional da UFMS, sem o qual não seria possível nossa participação, e parabenizamos a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro) e a Fundect pela importante iniciativa de apoio aos projetos aprovados”, diz o pesquisador.

Já o projeto Balanço de carbono nos biomas de Mato Grosso do Sul: fontes e sumidouros utilizando sensores de modelagem futura, “pretende investigar o balanço de carbono – saldo entre absorção e emissão – dos principais usos e ocupação do solo do nosso estado- vegetação nativa, plantio de soja, pastagem e plantio de eucalipto – dos biomas do MS. Serão feitas avaliações deste balanço in loco e construídos modelos, utilizando sensoriamento remoto e inteligência computacional. Depois, iremos fazer uma modelagem futura até 2030 para entendermos qual o impacto disso em nosso Estado”, detalha o pesquisador Paulo Eduardo Teodoro, que também é coordenador do Programa de Pós-Graduação em Agronomia do CPCS.

Ele destaca que o projeto tem como coordenador parceiro o professor Carlos Antônio da Silva Junior, que coordena o curso de Geografia do Campus de Sinop da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat). “É uma honra ter a oportunidade de contribuir com meu estado, nasci, estudei e hoje trabalho em Mato Grosso do Sul. Gostaria de agradecer à Semagro, à Fundect e à UFMS, sobretudo a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propp), por todo apoio. Sem dúvidas, iremos contribuir com estratégias para neutralizar as emissões de carbono em Mato Grosso do Sul”, afirma Paulo Teodoro.

Outro projeto selecionado visa investigar os impactos individuais das fontes de emissão veicular e outras fontes fixas. O projeto Impactos de emissões antropogênicas da região de Campo Grande-MS na poluição atmosférica e no aumento de Gases do Efeito Estufa é coordenado pelo professor Vinícius Buscioli Capistrano e tem participação dos também professores do Infi Widinei Fernandes e Hamilton Pavão, além da Dra Janaína Nascimento, que atualmente desenvolve trabalhos no Colorado (EUA).

“O objetivo do projeto é entender como se dá o aumento das concentrações de gases atmosféricos, tais como dióxido de carbono, metano, entre outros, além dos materiais particulados na composição da poluição atmosférica da região metropolitana de Campo Grande”, diz o coordenador, que integra o Laboratório de Ciências Atmosféricas.

Vinícius Capistrano acredita que o estudo tem potencial para entregar algo inovador e será importante para a tomada de decisão por parte dos governantes. “É algo importante para a sociedade e que caracteriza também a utilização de diversos elementos relacionados a transporte e geração de energia na região de Campo Grande, além disso, o grupo de Pesquisa do Laboratório de Ciências Atmosféricas vê possibilidade de uma frente de trabalho forte em que podemos ajudar e reunir doutores, professores e alunos em busca de soluções desafiadoras como as propostas no projeto”.

O edital

Além da UFMS, foram contemplados projetos da Universidade Estadual de MS (UEMS), Universidade Anhanguera Uniderp, Instituto Senai de Inovação em Biomassa, Embrapa Agropecuária Oeste e Embrapa Gado de Corte.

Titular da Semagro e responsável por encabeçar o projeto de Carbono Neutro em Mato Grosso do Sul, o secretário Jaime Verruck explica que a estratégia ambiental do estado foi adotada em 2016, quando o governo se comprometeu em neutralizar as emissões de GEE.

“Temos uma meta audaciosa de tornar o estado Carbono Neutro em 2030, ao menos 20 anos antes do previsto. Já temos um inventário de emissão de CO², mas precisamos revisar e aperfeiçoar essa análise, principalmente no quesito de mudança de uso de solo. Agora queremos buscar pesquisas e tecnologias locais que nos ajudem neste processo”, afirma.

Ao todo serão investidos R$ 4 milhões em recursos do Governo do Estado, a serem investidos em 11 projetos que têm como objeto principal contribuir com a meta de transformar Mato Grosso do Sul em um estado Carbono Neutro até 2030.

O diretor-presidente da Fundect, Márcio de Araújo Pereira, destaca o ineditismo do edital.  “Mato Grosso do Sul foi o primeiro estado do país a lançar um edital para selecionar projetos de pesquisa que contribuam com a meta de ser Carbono Neutro até 2030. A iniciativa se soma a diversos programas já existentes, que reforçam o compromisso ambiental do Governo do Estado com a redução da emissão de gases de efeito estufa”, afirma.

Fonte: Ascom UFMS com informações da Fundect

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