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segunda-feira, 17 de junho, 2024
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Recomeço: Luiza tornou a 1ª entre os irmãos a concluir Ensino Médio, mesmo estando presa

Caminho para um universo de possibilidades e ferramenta eficiente de ressocialização, a educação é uma das prioridades da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) de Mato Grosso do Sul. Dentro das unidades prisionais, internos têm a oportunidade de transformar suas histórias de vida nos bancos escolares, promovendo cidadania e realizando sonhos.

É o caso da reeducanda Luiza da Silva, 25 anos, que viu se tornar realidade o desejo de concluir o ensino médio, isso durante o cumprimento de pena no Estabelecimento Penal Feminino “Luiz Pereira da Silva”, em Jateí.

Apesar de jovem, a interna revela uma vida marcada pelas consequências de quem escolheu a criminalidade. “Aos 13 anos parei de estudar e me envolvi no mundo do crime, aos 15 me aprofundei mais, aos 17, quando pensava em voltar para escola, aconteceram várias coisas, meu pai adoeceu e ficou em uma cadeira de rodas e logo depois eu engravidei”, relata.

Daí para ser presa por tráfico de entorpecentes, e outros crimes, não demorou, mas o que poderia representar o fim da esperança, serviu de impulso para oportunidades que só a educação é capaz de possibilitar.

Caçula, ela conta que é a primeira entre os seus sete irmãos a conseguir esse feito. “É uma vitória, uma benção, e meu plano para o futuro agora é continuar estudando, fazer uma faculdade de Direito e ser exemplo para os meus filhos para seguir o caminho certo”, afirma. “Estudar abre portas da mente que jamais serão fechadas. Posso dizer que a educação me libertou”.

O ensino regular é oferecido em ação conjunta entre a Agepen e a SED (Secretaria de Estado de Educação). Ao todo, são 30 unidades prisionais com extensões escolares da rede estadual de ensino, com a oferta de fundamental e médio pelo sistema EJA (Educação de Jovens e Adultos).

Na unidade prisional de Jateí, é ofertado por meio de extensão escolar da Escola Estadual Professora Bernadete Santos Leite, cujo trabalho dos professores e equipe técnica – somados ao empenho dos policiais penais em possibilitar que as ações de ensino aconteçam no local – foi fundamental para estimular em Luiza a vontade de vencer as barreiras das dificuldades com cada conteúdo apresentado.

A custodiada retomou os estudos dentro do sistema prisional, em 2020, quando ingressou no módulo intermediário do EJA (Educação de Jovens e Adultos), que representa a segunda etapa do ensino fundamental, avançando, posteriormente, para o ensino médio, que foi concluído no último semestre.

Para a diretora do presídio de Jateí, Solange Pereira da Silva, vencer as barreiras do aprendizado escolar e conquistar um certificado de conclusão de ensino é um importante avanço para qualquer pessoa, mas pode ter um significado ainda maior para quem está em situação de prisão.

Dados da Divisão de Assistência Educação da Agepen apontam que no primeiro semestre deste ano mais de 2,3 mil reeducandos e reeducandas sentaram nos bancos escolares dentro de unidades prisionais do estado para estudarem desde a alfabetização ao ensino médio. Além disso, outros 68 cursaram ensino superior por meio de parcerias da Agepen com universidades.

“Citando Paulo Freire, a educação não transforma o mundo, a educação muda pessoas e as pessoas transformam o mundo. Então cada pessoa que conseguirmos mudar dentro do sistema prisional de Mato Grosso do Sul, por meio da educação, será um mundo de possibilidades, com resultados positivos incalculáveis”, finaliza o diretor-presidente da Agepen, Rodrigo Rossi Maiorchini.

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