Corrupção, segurança, saúde, educação e infraestrutura dominaram o confronto entre os oito candidatos
O primeiro debate entre os oito candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul nas eleições de 2026 terminou na noite desta segunda-feira (21) com uma sucessão de críticas à atual administração, cobranças sobre serviços públicos e confrontos entre adversários. Corrupção, segurança, educação, saúde, infraestrutura, política ambiental e relação com comunidades indígenas estiveram entre os principais temas discutidos no encontro promovido pelo Jornal Midiamax, em Campo Grande.
Participaram do debate Eduardo Riedel (PP), que disputa a reeleição, Delcídio Amaral (PRD), Fábio Trad (PT), João Henrique Catan (Novo), Lucien Rezende (PSOL), Jeferson Bezerra (Agir), Daniel Lemes (PCO) e Renato Gomes (DC). O encontro teve quatro blocos e duração de cerca de uma hora e meia, com perguntas entre os próprios candidatos.
No início do confronto, Renato Gomes questionou Fábio Trad sobre segurança pública e citou episódios relacionados a servidores presos, apreensão de drogas e fugas de unidades penitenciárias. Em resposta, Trad direcionou as críticas à administração de Eduardo Riedel e afirmou que existem problemas relacionados a corrupção em diferentes setores do governo.
Trad citou, entre outros órgãos, a Sanesul, as secretarias de Educação e Saúde e a Casa Civil. As afirmações foram feitas durante o debate, sem apresentação de documentos que comprovassem as acusações naquele momento. Em reportagem sobre a abertura do encontro, o Midiamax registrou o questionamento de Renato e a resposta de Trad.
Na sequência, Jeferson Bezerra questionou Riedel sobre a diferença entre professores concursados e contratados e sobre a política de valorização da categoria. O governador afirmou que o Estado tem realizado concursos e citou um processo para preenchimento de 2.772 vagas.
Riedel também destacou investimentos na educação e relacionou a formação profissional à geração de empregos no Estado.
Segurança e fronteira
A segurança pública voltou ao centro do debate em diferentes momentos. Lucien Rezende questionou Riedel sobre os salários dos policiais militares e civis. O governador respondeu citando investimentos em equipamentos, viaturas e capacitação e afirmou que o Estado destinou mais de R$ 600 milhões para a área.
Riedel também destacou a atuação integrada das forças de segurança, principalmente diante da posição geográfica de Mato Grosso do Sul e das extensas áreas de fronteira.
Jeferson, por sua vez, defendeu a valorização dos profissionais da segurança, novos concursos e reforço das estruturas da Polícia Civil, incluindo o Serviço de Investigações Gerais (SIG) de Dourados e unidades especializadas.
Educação e servidores
A valorização dos professores apareceu em mais de uma rodada. Fábio Trad voltou a questionar Riedel sobre a equiparação salarial entre professores contratados e concursados.
O governador afirmou que a gestão precisa observar os limites fiscais e que a realização de concursos é uma das estratégias para ampliar o quadro efetivo da rede estadual.
Delcídio Amaral também foi questionado sobre reajustes para servidores públicos. O candidato afirmou que pretende utilizar recursos provenientes de incentivos fiscais e estabelecer critérios de valorização para servidores de carreira.
Infraestrutura vira alvo de críticas
O estado das ruas e rodovias também provocou confrontos. João Henrique Catan questionou Daniel Lemes sobre medidas para reduzir o custo do asfalto. Lemes criticou a situação da infraestrutura, principalmente em Campo Grande, e fez acusações contra a atual administração estadual.
Catan apresentou como proposta a criação de uma agência estadual de mineração e a instalação de uma usina pública de asfalto. Segundo ele, a medida poderia reduzir os custos das obras de pavimentação.
Em outra rodada, Fábio Trad defendeu que obras de infraestrutura sejam planejadas conjuntamente com drenagem e saneamento. A proposta foi apresentada durante uma discussão sobre investimentos e problemas estruturais.
Meio ambiente e Pantanal
A política ambiental também entrou na pauta. Delcídio Amaral defendeu ações permanentes contra queimadas e destacou a necessidade de políticas específicas para o Pantanal.
O candidato também mencionou iniciativas relacionadas ao sequestro de carbono, preservação ambiental e turismo.
Lucien Rezende defendeu a ampliação das políticas ambientais e citou problemas relacionados ao acesso à água potável e à infraestrutura em comunidades indígenas.
João Henrique Catan, por outro lado, defendeu a conciliação entre produção agropecuária e preservação ambiental e mencionou mecanismos de pagamento por serviços ambientais.
Questão indígena
As políticas destinadas aos povos indígenas foram discutidas em diferentes momentos do debate.
Daniel Lemes questionou Catan sobre conflitos envolvendo comunidades indígenas e a atuação do governo estadual. Catan defendeu que os indígenas tenham acesso a recursos, serviços públicos e condições para administrar e produzir em seus territórios.
Fábio Trad também afirmou que pretende tratar os indígenas como sujeitos de direitos e defendeu diálogo com produtores rurais. O candidato disse ainda que um eventual governo não admitiria invasões de propriedades.
No terceiro bloco, Riedel foi questionado sobre políticas públicas para os povos indígenas. O governador diferenciou as questões relacionadas a conflitos fundiários das ações de atendimento e políticas públicas destinadas às comunidades.
Saúde e corrupção
A saúde foi outro tema utilizado pelos candidatos para criticar a atual administração.
João Henrique Catan questionou Renato Gomes sobre propostas para a área. Catan afirmou que pretende aproximar o governo dos hospitais e criticou problemas enfrentados por pacientes.
Renato, por sua vez, defendeu a realização de auditorias para identificar problemas administrativos e financeiros na saúde pública.
Fábio Trad apresentou uma proposta de criação de uma estrutura específica dentro da Controladoria-Geral do Estado para prevenção e investigação de irregularidades. Segundo ele, a equipe reuniria profissionais com experiência em diferentes órgãos públicos.
Confronto entre candidatos da esquerda
Um dos momentos de maior confronto ocorreu entre Fábio Trad e Lucien Rezende. A discussão começou quando Trad questionou Lucien sobre a distribuição da riqueza produzida em Mato Grosso do Sul.
Lucien respondeu criticando partidos que já participaram de administrações estaduais e afirmou não ter responsabilidade pela atual gestão. O candidato do PSOL também mencionou a participação de integrantes do PT em governos anteriores.
Na tréplica, Trad citou o histórico político de Lucien e mencionou Adônis Marcos, candidato do PSOL em eleição anterior que posteriormente ocupou cargo na administração Riedel. Trad questionou se Lucien poderia seguir o mesmo caminho. O episódio foi registrado pelo Midiamax como uma troca de acusações entre os dois candidatos.
Propostas para o campo e pequenos produtores
Delcídio Amaral defendeu medidas voltadas aos pequenos produtores, como ampliação do crédito, melhoria da comercialização e investimentos em infraestrutura rural.
O candidato também citou as patrulhas mecanizadas e o Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) como instrumentos de apoio aos produtores.
Renato Gomes apresentou propostas relacionadas à redução de custos para a população, incluindo medidas envolvendo energia elétrica, gás de cozinha, cesta básica e combustíveis.
Considerações finais
No último bloco, cada candidato teve três minutos para apresentar suas considerações finais. Delcídio Amaral destacou educação técnica, tecnologia aplicada à saúde, segurança na fronteira, sustentabilidade, turismo e esporte como áreas prioritárias de um eventual governo.
Fábio Trad defendeu mudanças na administração pública e afirmou que pretende priorizar a distribuição da riqueza produzida no Estado.
Lucien Rezende reforçou propostas relacionadas à saúde, educação, agricultura familiar, emprego e políticas para povos indígenas.
João Henrique Catan voltou a defender mudanças na gestão estadual, enquanto Jeferson Bezerra enfatizou segurança, saúde e redução de despesas administrativas.
Daniel Lemes direcionou sua fala a grupos como jovens, mulheres, indígenas, trabalhadores e idosos. Renato Gomes reforçou críticas a impostos, gastos públicos e corrupção.
Riedel destacou resultados econômicos e programas sociais de sua administração e pediu a continuidade das ações do governo.
O debate foi realizado no auditório do Crea-MS, em Campo Grande, e teve transmissão pelo site do Jornal Midiamax, redes sociais, televisão e emissoras de rádio parceiras.





















