Salão de beleza abrigava consultório dentário improvisado em Coronel Sapucaia

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Foto: Divulgação

Até parece uma esquete de programa humorístico, mas aconteceu de verdade e foi lá na pequena cidade de Coronel Sapucaia. Um salão de beleza também tinha espaço para consultório dentário, cujo dentista responsável não era devidamente habilitado para o exercício da profissão.

O caso foi descoberto na quarta-feira (30), mas divulgado somente nessa sexta (02) pelo Conselho Regional de Odontologia de Mato Grosso do Sul (CRO-MS). A operação envolveu também equipes da Vigilância Sanitária e Polícia Civil, resultando na prisão em flagrante do falso dentista.

O local foi descoberto mediante denúncias ao CRO-MS. O autor aplicava, entre outros serviços, a colocação de lentes de contato dental — procedimento que exige conhecimento técnico e estrutura adequada — em um ambiente não autorizado para atendimentos de saúde.

A fiscalização do conselho de classe foi até o local e flagrou o dentista em pleno exercício da atividade. Na abordagem, ele não apresentou qualquer tipo de documentação que comprovasse formação ou registro profissional, configurando, portanto, o exercício ilegal do ofício.

Risco silencioso: sem esterilização, sem segurança

Ainda segundo o CRO-MS, a vistoria revelou situação de risco iminente para os pacientes. Os instrumentos utilizados não estavam em condições corretas de esterilização e o espaço não dispunha da infraestrutura mínima exigida para a prática odontológica.

Diante dos fatos comprovados, os materiais e equipamentos utilizados no consultório improvisado dentro do salão de beleza foram apreendidos e o estabelecimento foi interditado imediatamente.

A instituição afirma que o fato de os instrumentos não passarem por processo adequado de desinfecção e esterilização expõe os pacientes a infecções, contaminações cruzadas e transmissão de doenças.

Rastro por outros municípios

Segundo as investigações, o suspeito pode ter atuado também em Amambai e em outras cidades da região, o que amplia a preocupação sobre quantas pessoas podem ter sido atendidas em condições irregulares.

“O CRO-MS reforça que a Odontologia é profissão regulamentada por lei e que qualquer exercício sem registro configura crime, com pena de reclusão de seis meses a dois anos, além de multa”, cita uma nota sobre o caso.

Antes de sentar na cadeira: como se proteger

O CRO-MS aproveitou para reforçar as orientações à população para que adotem cuidados simples, mas fundamentais na hora de procurar por um tratamento especializado:

  • ✅ Verificar se o profissional possui registro ativo no site do CRO-MS;
  • ✅ Exigir que o atendimento ocorra em consultório devidamente licenciado, e não em salões, residências ou espaços comerciais não autorizados;
  • ✅ Observar se os instrumentos são apresentados esterilizados e embalados;
  • ✅ Desconfiar de preços muito abaixo do mercado ou de promessas de resultados “milagrosos”.

Caso presencie ou seja vítima de prática suspeita, a denúncia pode ser feita de forma sigilosa pelo site oficial do CRO-MS ou diretamente à Vigilância Sanitária do município.