Divulgação/Ascom Santa Casa

Aequipe da Organização de Procura de Órgãos (OPO) da Santa Casa de Campo Grande realizou a primeira captação de 2021, no último sábado (9). Com os devidos cuidados para garantir a segurança e qualidade do procedimento, a jovem paciente de 30 anos doou coração, fígado, rins e córneas, após evoluir para morte encefálica devido ao rompimento de um aneurisma cerebral. 

Naquele dia, tudo estava preparado para receber os profissionais de Brasília que conduziriam a captação do coração e do fígado de forma assertiva para que pudessem chegar ao destino em tempo hábil de ser implantado nos pacientes – o tempo de isquemia dos órgãos é de até 4h para coração e de 12h para o fígado. O transporte dessas equipes e órgãos contou com o apoio da Força Aérea Brasileira (FAB), por meio de parceria com o Sistema Nacional de Transplante (SNT).

Além disso, na cirurgia, a equipe do Banco de Olhos “Anjos da Visão”, captou as córneas que foram encaminhadas para análise e, posteriormente, serão utilizadas para curativos ou mesmo transplantes. A equipe do serviço de urologia da Santa Casa realizou a extração dos rins, sendo que um foi encaminhado também para Brasília e outro permaneceu no hospital e foi implantado em um paciente de 37 anos, que fazia hemodiálise desde 2002. 

O enfermeiro coordenador da OPO, Rodrigo Gomes, destaca que o ano de 2021 continuará sendo desafiador, mas ter a possibilidade de iniciar o ano com uma doação de múltiplos órgãos e o primeiro transplante renal, ainda em janeiro, gera uma expectativa muito grande. “Esperamos ainda neste ano retomar as ações de humanização que priorizam o contato físico das famílias com os pacientes e dar continuidade no serviço que é essencial no momento da despedida. Temos a intenção de fortalecer ainda mais o serviço para que o número de doações seja maior que o número das recusas familiares”, comentou.

Dados OPO

De janeiro a dezembro de 2020, a Santa Casa de Campo Grande registrou 113 notificações de morte encefálica, e dessas, 67 pacientes eram potenciais doadores, mas somente 34 famílias autorizaram a doação. Durante todo o ano, foram captados cinco corações, um pulmão, 18 fígados e 60 rins. Já nos acompanhamentos feitos pela Organização de Procura de Órgãos nos demais hospitais de Três Lagoas, Dourados e Campo Grande, foram registradas 109 mortes encefálicas, e dessas, 52 pacientes estavam aptos, mas apenas 17 famílias autorizaram a doação, ou seja, uma recusa de 67% das famílias entrevistadas.

O total de órgãos captados nos demais hospitais, em 2020, foram dois corações, oito fígados e 26 rins.

Para Rodrigo Gomes, todo o processo de doação é desafiador e, em 2020, devido ao distanciamento social, passou a ser ainda maior em relação ao acolhimento familiar. Mas o coordenador da OPO destaca que, mesmo as ações de humanização sendo substituídas por palavras empáticas, o serviço segue fortalecido e beneficiando muitas vidas.

“Mesmo em meio a esse momento tão difícil, mudanças tiveram que ser feitas para garantir a qualidade do processo. Os abraços e apertos de mãos foram substituídos por conversas longas ou por boletins médicos. Isso gerou uma mudança muito grande na forma da família compreender a situação do seu ente querido e, mesmo assim, possibilitamos colaboração para ajudar outros pacientes… Em 2020 não houve muito impacto nas doações em relação ao ano de 2019, mas não queremos somente aumentar a produção em 2021, mas, também, levar o entendimento de que é possível salvar vidas após a morte encefálica”, finalizou.

Por ASCOM

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