A necessidade de um ambulatório que atendesse exclusivamente a Medicina Fetal na Santa Casa de Campo Grande surgiu do fato de que grande parte da busca espontânea ou encaminhamento de pacientes tem estado relacionada à saúde do feto e não da própria mãe. Além disso, a equipe médica que já realiza o acompanhamento pelo serviço de alto risco é especializada na área de Medicina Fetal. Todas essas situações introduziram as tratativas a fim melhor assistir os pacientes.

O projeto apresentado pelo supervisor de Ginecologia e Obstetrícia e Medicina Fetal da instituição, Wiliam Leite Lemos Junior, abre mais possibilidades de atenção à saúde, especialmente, na melhoria do cuidado com os pacientes, mãe e feto, e uma consequente otimização de recursos. “Um projeto assim organiza com excelência a demanda para outras especialidades parceiras, como cirurgia cardíaca pediátrica, cirurgia pediátrica geral e neurocirurgia, otimizando os recursos e capital humano envolvidos”, destacou.

Com a implantação, o ambulatório funcionará tanto para pacientes em acompanhamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), quanto convênios e particulares, semanalmente, e os encaminhamentos serão via Sistema de Regulação (Sisreg) ou por agendamento telefônico para linha privada. E, com estrutura física e de pessoal bem estabelecida, o início do serviço depende agora da aquisição de alguns equipamentos, um dos mais importantes é o de ultrassom, moderno e de última geração, conforme explica o médico William Lemos.

“A delicadeza e peculiaridade de cada patologia fetal exige que o maquinário seja potente o suficiente para realizar mais precisamente os diagnósticos. Daí a sua extrema importância para a população”.

Para ajudar com a aquisição do aparelho, o hospital iniciou contatos para captação de recursos e suporte no projeto, e está recebendo o apoio do deputado estadual Cel. David que se colocou à disposição. “Finalizamos e formatamos o projeto e enviamos ao gabinete do deputado. Tivemos um encontro para falar sobre isso, onde ele reiterou seu apoio, que é importante especialmente para a aquisição do aparelho de ultrassom”, afirmou.

De acordo com o médico, patologias cardíacas podem acometer 1% dos fetos, ou seja, somente no ano de 2019, seriam mais de 150 bebês com doenças cardíacas apenas em Campo Grande. “Todavia, não houve esse número de diagnósticos, o que mostra que os diagnósticos estão sendo perdidos, ou vidas estão sendo perdidas, pela falta de referência adequada”, pontuou. Outras situações levantadas pelo especialista, são as doenças que acometem gêmeos – síndrome de transfusão feto-fetal – e as doenças de espinha aberta, chamada de espinha bífida, ou mielomeningocele.

“São patologias que já possuem procedimentos que são realizados ainda durante a gravidez, dentro do útero. Ou seja, os bebês são tratados antes de nascer e podem ter uma vida normal, mas, sem o tratamento, o óbito ou a deficiência são praticamente certos”, finalizou.

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