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Copom divulga nesta quarta-feira (16) se taxa básica de juros sofrerá ou não alteração. Mercado aposta em sua manutenção por patamar atual estar baixo

O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) deve manter a Selic em 2% ao final da reunião desta quarta-feira (16).

A manutenção da taxa básica de juros foi indicada no boletim focus divulgado pelo BC na segunda-feira (14) e por economistas.

Para Miguel de Oliveira, diretor-executivo da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), a Selic não deve cair por três motivos:

• Já está muito baixa, 2% ao ano, e temos expectativa de inflação próxima de 1,8%; e
• Aumento de itens da cesta básica.

Oliveira destaca que o Banco Central tem de deixar os juros acima da inflação, caso contrário terá de rever a Selic para os próximos meses.“Os juros têm de ser suficientemente altos para conter a inflação e baixos para provocar o crescimento econômico, geração de emprego e renda. A Selic a 2% ao ano absorve a inflação.”

Caso o Banco Central reduza 0,25 ponto percentual, a taxa básica de juros ficará a 1,75% ao ano.

Com isso, segundo Oliveira, corre-se o risco de a instituição ter de subir rapidamente os juros para conter a inflação que poderá subir com o aumento do consumo.

E tem mais, diz o executivo da Anefac: juros muito baixos afugentam os investidores.

“Se os juros não são suficientes para manter o poder de compra, os investidores não comprarão títulos públicos e o governo terá dificuldade para financiar a dívida pública.”

Ele acredita que a Selic deve permanecer inalterada também nas próximas reuniões do Copom.

André Braz, economista do Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), também aposta que não haverá corte da Selic.

Braz aponta alguns fatores para a manutenção:

• O país ainda vive um cenário que gera muitas incertezas quanto à valorização cambial; e
• A inflação vem se mantendo controlada, baixa e não está generalizada, apesar de existir uma pressão em torno dos alimentos que concentram uma grande parcela da inflação acumulada nos últimos 12 meses e em 2020.

Braz ressalta que haveria espaço para algum movimento na Selic, “se tivéssemos algum desafio de inflação na pauta”.“Um novo corte diminuiria um espaço importante que o Banco Central poderá usar daqui a pouco numa possível retomada, num aquecimento maior das questões inflacionárias no ano que vem.”

Assim como Oliveira e Braz, Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, também espera a manutenção da Selic na reunião desta quarta e por um longo período.“Apesar de a alta dos preços de alimentos e de matérias-primas refletida no IGPM, ainda não há sinal de pressão inflacionária que justifique alteração na política monetária nesse momento.”

Manutenção interrompe sequência de quedas

Diogo Carneiro, professor e pesquisador da Fipecafi, diz que a novidade dessa reunião será a interrupção da sequência de queda.“Não vai baixar mais. Diria que o mercado está em compasso de espera, com a incerteza política, especialmente, com o risco fiscal sobre contas por causa dos gastos altíssimos com a pandemia.

Ele acrescenta que outro fator que contribuirá para a manutenção é a pressão inflacionária, apesar de ser uma questão mais sazonal.

“Qualquer alteração não teria efeito em relação à política econômica e, agora, o principal foco é a política fiscal. O que interessa é arrecadar mais e gastar menos”, diz.

Carneiro estima que a taxa seja mantida por algum tempo, “até que esse cenário fique mais claro e a gente consiga entender melhor o rumo da economia brasileira.”

Fonte: R7

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