André Figueiredo Dobashi – presidente da Aprosoja/MS

É inegável que o agricultor brasileiro se tornou referência para o mundo, devido sua capacidade em produzir, com eficiência, apresentando produtividade e sustentabilidade. Atos possíveis a partir do empenho de entidades de pesquisa, que fazem do cultivo de grãos, e de outras cadeias da agropecuária, exemplo para outros continentes.

E ainda destaco que, se não fossem questões como a pandemia, guerra e políticas econômicas, o agricultor brasileiro estaria produzindo comida cada vez mais barata, cumprindo ainda mais seu papel social, gerando emprego e renda, dentro e fora, de milhares de porteiras.

Mas neste 28 de julho, Dia do Agricultor, além de reconhecer o papel desse profissional do campo, é importante esclarecer para onde vai a agricultura e qual o papel do agricultor do futuro. E o “sequestro” é o caminho mais próximo e próspero. Me refiro ao sequestro, no sentindo de raptar o carbono, e estimular esse tão sonhado equilíbrio entre emissões e sequestro

É chegada a hora de mensurar o sequestro de carbono e seguir comprovando eficiência. Lideranças do setor têm defendido o desenvolvimento de um sistema intensivo de produção, e para isso, diversas formas de sequestro de carbono são colocadas à mesa, como o plantio direto, com rotação de culturas e o cultivo de milho, consorciado com braquiária, sempre vinculando os resultados sustentáveis, à pesquisa.

Entidades como a Aprosoja/MS e o Governo do Estado de MS, empenham-se para a medição dos indicadores de sequestro e emissões de carbono. A intenção dessa avaliação é comprovar, de forma técnica, que o solo protegido com culturas de alta performance, associado a coberturas verdes, durante ou após as colheitas, também mitigam perdas advindas de fertilizantes nitrogenados e calcário, viabilizando adição de carbono através de matéria orgânica. Todo esse processo, junto da colaboração climática, atinge a neutralidade efetiva entre emissões e sequestro.

É a partir dessas BPAs – Boas Práticas Agrícolas, empregadas pelo agricultor, que serão consolidados manejos sustentáveis, capazes de tornar o ambiente de produção mais resiliente às intempéries climáticas, diminuindo os riscos e aumentando produtividade.

E defendo a valorização do agricultor moderno que, ao aplicar técnicas que estimulam esse equilíbrio entre emissão e sequestro, fazem com que seus grãos deixem de ser commodities, devendo obter valor agregado, ou pelo menos ter seu custo de produção reduzido, via insumos, juros, ou qualquer outro meio.

A importância aqui é de que o agricultor siga cumprindo seu papel, de gerar alimento, a menor custo, de forma sustentável, baseando-se na ciência e com métricas que as justifiquem. Isso tira totalmente o agricultor de uma posição acuada, que já ocupou um dia, oficializando o protagonismo, a partir de uma produção de respeito ambiental, social e econômico.

Por André Figueiredo Dobashi – presidente da Aprosoja/MS

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